75.º Aniversário da Vitória sobre o nazi-fascismo

Partidos comunistas subscrevem posição conjunta sobre 75 anos da vitória

EVOCAÇÃO Por ini­ci­a­tiva do PCP e num texto que in­te­grou di­versos con­tri­butos mais de sete de­zenas de par­tidos co­mu­nistas já subs­cre­veram a po­sição con­junta sobre os 75 anos da Vi­tória, in­ti­tu­lada Em nome da li­ber­dade, da paz e da ver­dade – contra o fas­cismo e a guerra.

É ne­ces­sário pre­servar e de­fender a me­mória do que foi a Se­gunda Guerra Mun­dial

O do­cu­mento, di­vul­gado no dia 2, co­meça por su­bli­nhar que a vi­tória sobre o nazi-fas­cismo na Se­gunda Guerra Mun­dial cons­titui um «acon­te­ci­mento maior da His­tória, cuja me­mória é ne­ces­sário pre­servar e de­fender». Em se­guida, re­alça as «rei­te­radas ten­ta­tivas de fal­si­fi­cação his­tó­rica que visam fazer es­quecer o papel de­ter­mi­nante que nele de­sem­pe­nharam a União das Re­pú­blicas So­ci­a­listas So­vié­ticas, os co­mu­nistas e os an­ti­fas­cistas de todo o mundo».

Lem­brando que o nazi-fas­cismo foi «ge­rado pelo ca­pi­ta­lismo» e cons­ti­tuiu a «ex­pressão mais ter­ro­rista do ca­pital mo­no­po­lista», o texto res­pon­sa­bi­liza-o pelo de­sen­ca­de­a­mento da guerra de agressão e ra­pina e suas con­sequên­cias: cerca de 75 mi­lhões de mortos, dos quais cerca de 27 mi­lhões de ci­da­dãos so­vié­ticos, inú­meros so­fri­mentos e o horror dos campos de con­cen­tração nazis. São igual­mente «pá­ginas ne­gras» os bom­bar­de­a­mentos ató­micos de Hi­ro­xima e Na­ga­sáqui pelos EUA, «sem qual­quer jus­ti­fi­cação mi­litar».

Na po­sição con­junta re­corda-se que a Se­gunda Guerra Mun­dial re­sultou do «agra­va­mento das con­tra­di­ções inter-im­pe­ri­a­listas e, si­mul­ta­ne­a­mente, do pro­pó­sito da des­truição do pri­meiro Es­tado so­ci­a­lista, a URSS, ex­presso, no­me­a­da­mente, no apoio e co­ni­vência do Reino Unido, França e Es­tados Unidos com o re­ar­ma­mento e am­bição ex­pan­si­o­nista da Ale­manha nazi».

Repor a ver­dade

Na po­sição que subs­cre­veram, os par­tidos co­mu­nistas e ope­rá­rios de todos o mundo:

  • Prestam ho­me­nagem a todos os que en­tre­garam a sua vida nos campos de ba­talha contra as hordas nazi-fas­cistas e em es­pe­cial aos he­róicos re­sis­tentes e com­ba­tentes anti-fas­cistas e aos he­róicos povo so­vié­tico e Exér­cito Ver­melho, di­ri­gidos pelo Par­tido Co­mu­nista, cujo con­tri­buto, es­crito em pá­ginas he­róicas como as ba­ta­lhas de Mos­covo, Le­ni­ne­grado ou Es­ta­li­ne­grado, foi de­ci­sivo para a Vi­tória sobre a bar­bárie;

  • Con­si­deram que a Vi­tória sobre a Ale­manha nazi e os seus ali­ados do Pacto Anti-Co­min­tern foi al­can­çada graças ao con­tri­buto de­ci­sivo da URSS, à na­tu­reza de classe do poder so­vié­tico, com a par­ti­ci­pação das massas po­pu­lares, ao papel di­ri­gente do Par­tido Co­mu­nista, à su­pe­ri­o­ri­dade de­mons­trada pelo sis­tema so­ci­a­lista. Esta vi­tória cons­titui um enorme le­gado his­tó­rico do mo­vi­mento re­vo­lu­ci­o­nário;

  • Va­lo­rizam os ex­tra­or­di­ná­rios avanços no pro­cesso de eman­ci­pação so­cial e na­ci­onal dos tra­ba­lha­dores e dos povos que a Vi­tória e o avanço das forças do pro­gresso so­cial e da paz pos­si­bi­li­taram, com o alar­ga­mento do campo dos países so­ci­a­listas à Eu­ropa, Ásia e Amé­rica La­tina, as con­quistas do mo­vi­mento ope­rário nos países ca­pi­ta­listas, o im­pe­tuoso de­sen­vol­vi­mento do mo­vi­mento de li­ber­tação na­ci­onal e a con­se­quente li­qui­dação dos im­pé­rios co­lo­niais;

  • De­nun­ciam e con­denam as cam­pa­nhas que visam di­mi­nuir, de­turpar e mesmo negar, o papel da URSS e dos co­mu­nistas na der­rota do nazi-fas­cismo e, além disso, culpar in­justa e fal­sa­mente a União So­vié­tica pelo início da Se­gunda Guerra Mun­dial, apagar as res­pon­sa­bi­li­dades do grande ca­pital e dos go­vernos ao seu ser­viço na pro­moção e as­censão do fas­cismo e no de­sen­ca­dear da guerra, e bran­quear e re­a­bi­litar o fas­cismo, ao mesmo tempo que des­troem os mo­nu­mentos e a me­mória do Exér­cito so­vié­tico li­ber­tador, pro­movem o an­ti­co­mu­nismo e cri­mi­na­lizam os co­mu­nistas e ou­tros an­ti­fas­cistas;

  • De­nun­ciam e con­denam as re­so­lu­ções an­ti­co­mu­nistas da UE e a ten­ta­tiva de fal­si­fi­cação his­tó­rica e ca­lu­niosa de equi­parar o so­ci­a­lismo ao monstro do fas­cismo;

  • Alertam que o im­pe­ri­a­lismo aposta cada vez mais no fas­cismo e na guerra como «saída» para o apro­fun­da­mento da crise do sis­tema ca­pi­ta­lista, cujo ca­rácter de­su­mano se torna par­ti­cu­lar­mente evi­dente quando, mesmo pe­rante o gra­vís­simo surto epi­dé­mico da COVID-19, o im­pe­ri­a­lismo, os EUA, a NATO, a UE e po­tên­cias ca­pi­ta­listas suas ali­adas, pros­segue uma cri­mi­nosa po­lí­tica de blo­queios e agres­sões contra países e povos;

  • Con­si­deram que a luta pela paz, pelo pro­gresso so­cial e pelo so­ci­a­lismo são in­se­pa­rá­veis; e com­pro­metem-se a con­tri­buir para o for­ta­le­ci­mento da acção comum da classe ope­rária, dos tra­ba­lha­dores e dos povos de todo o mundo, das forças po­lí­ticas in­te­res­sadas em barrar o ca­minho ao fas­cismo e na luta contra o im­pe­ri­a­lismo, as agres­sões im­pe­ri­a­listas e uma nova guerra de trá­gicas pro­por­ções.

Lutas ur­gentes

No do­cu­mento ex­prime-se a con­vicção de que a si­tu­ação pre­sente «su­blinha a im­por­tância do re­forço da luta anti-im­pe­ri­a­lista, pela so­be­rania dos povos e a in­de­pen­dência dos Es­tados, pelos di­reitos dos tra­ba­lha­dores e dos povos, no ca­minho da su­pe­ração re­vo­lu­ci­o­nária do sis­tema ca­pi­ta­lista, que gera o fas­cismo, a guerra, as in­jus­tiças, os pe­rigos e as con­tra­di­ções da ac­tu­a­li­dade».

Assim, e tal como há 75 anos, «é a luta dos co­mu­nistas e de todos os que en­frentam a ex­plo­ração e opressão ca­pi­ta­lista que abrirá ca­mi­nhos de fu­turo para a Hu­ma­ni­dade».

Or­ga­ni­za­ções por­tu­guesas
«pela li­ber­dade, a paz e a ver­dade»

Vá­rias or­ga­ni­za­ções por­tu­guesas, entre as quais o CPPC, a URAP, a CGTP-IN, o MDM, a JCP e a Eco­lo­jovem, subs­crevem um texto evo­ca­tivo do 75.º ani­ver­sário da Vi­tória sobre o nazi-fas­cismo, in­ti­tu­lado Pela li­ber­dade, a paz e a ver­dade. Não ao fas­cismo e à guerra, lan­çado an­te­ontem, 5.

No texto, aberto à subs­crição de mais or­ga­ni­za­ções, re­corda-se a ren­dição in­con­di­ci­onal da Ale­manha nazi, as co­me­mo­ra­ções re­a­li­zadas em todo o mundo, o «horror ató­mico» lan­çado pelos EUA sobre Hi­ro­xima e Na­ga­sáqui e a ca­pi­tu­lação do Japão, pondo um fim de­fi­ni­tivo à «maior tra­gédia hu­mana que a His­tória co­nheceu».

No texto des­taca-se ainda a «he­róica re­sis­tência e luta contra o fas­cismo e a guerra». Por toda a Eu­ropa, e nou­tras partes do Mundo, os «tra­ba­lha­dores e os povos re­sis­tiram, lu­tando pela li­ber­tação da Hu­ma­ni­dade da bar­bárie nazi-fas­cista, sendo os obreiros do ca­minho que levou à Vi­tória, pro­ta­go­ni­zando das mais he­róicas pá­ginas de co­ragem, de ge­ne­ro­si­dade, de ab­ne­gação. De entre eles emerge, com a di­mensão dos mais de 20 mi­lhões de mortos, a União So­vié­tica, o povo so­vié­tico e o seu Exér­cito Ver­melho».

A re­sis­tência, que en­volveu mi­lhões de pes­soas, «ad­quiriu mil formas, tantas quantas as von­tades, os ideais, as forças que abra­çaram a luta contra o nazi-fas­cismo».

Evocar e con­ti­nuar

Co­me­morar a Vi­tória é, para as or­ga­ni­za­ções subs­cri­toras do texto, «prestar ho­me­nagem aos que re­sis­tiram e lu­taram» e ter sempre pre­sente que a «força dos ideais li­ber­ta­dores e a uni­dade dos an­ti­fas­cistas pode der­rotar os mais te­ne­brosos planos de ex­plo­ração, opressão, do­mi­nação». Mas é, igual­mente, não per­mitir que se de­turpe a His­tória e, assim, ter pre­sente quem foi res­pon­sável pela as­censão do fas­cismo e o de­sen­ca­dear da guerra.

Mas é, também, afirmar a «de­ter­mi­nação da re­jeição da in­ge­rência, da agressão, da guerra», de­fender o di­reito in­ter­na­ci­onal ins­crito na Carta das Na­ções Unidas (ela pró­pria um «le­gado da vi­tória») e «não tran­sigir na de­fesa dos di­reitos dos povos à sua auto-de­ter­mi­nação e so­be­rania». Co­me­morar a vi­tória é, ainda, «va­lo­rizar e de­fender os avanços e di­reitos al­can­çados» e «tomar parte, unir forças, emo­ções e cri­ação, con­vergir na luta contra a ex­plo­ração e a opressão, ca­mi­nhando lado a lado pela de­mo­cracia, os di­reitos, o pro­gresso, a jus­tiça, a paz, a co­o­pe­ração».

No do­cu­mento su­blinha-se ainda a ne­ces­si­dade de re­cordar que em Por­tugal foi «im­posta uma di­ta­dura fas­cista que co­la­borou com o na­zismo alemão e que oprimiu o povo por­tu­guês» e, ao mesmo tempo, que a «luta an­ti­fas­cista saiu à rua em Por­tugal para fes­tejar a der­rota do nazi-fas­cismo e a es­pe­rança que se for­ta­lecia». Também no País, lembra-se, «houve quem tenha dado tudo, in­cluindo a pró­pria vida, para re­sistir contra a longa noite fas­cista e fazer florir a li­ber­dade e a paz em Abril de 1974».

Com­bates do nosso tempo

Para além da me­mória, é do pre­sente e do fu­turo que se trata quando se as­si­nala a Vi­tória sobre o nazi-fas­cismo na Se­gunda Guerra Mun­dial. Assim, para as or­ga­ni­za­ções subs­cri­toras, esta evo­cação faz-se também de­fen­dendo os «va­lores da Re­vo­lução de Abril e o re­gime de­mo­crá­tico con­sa­grado na Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa», lu­tando sempre para que a «bar­bárie nazi-fas­cista ja­mais se re­pita» e cons­truindo «ca­mi­nhos de luta e li­ber­dade» contra quais­quer ame­aças do seu res­sur­gi­mento.

A cons­trução de um mundo «mais justo, so­li­dário e de paz con­tinua, 75 anos de­pois da Vi­tória sobre o nazi-fas­cismo, a ser abra­çada por mi­lhões de ho­mens e mu­lheres», con­clui-se, quase a ter­minar. É, assim, «em nome dos com­bates do nosso tempo, hon­rando a His­tória e a luta dos povos que co­me­mo­ramos o dia 9 de Maio, o dia da Vi­tória, afir­mando que 75 anos de­pois faz sempre e cada vez mais sen­tido de­fender a li­ber­dade, a paz e a ver­dade, e dizer não ao fas­cismo e à guerra».

Iúri Ga­gárin mantém evo­cação
mas al­tera fi­gu­rino

A As­so­ci­ação Por­tu­guesa de Ami­zade e Co­o­pe­ração Iúri Ga­gárin conta com um pro­grama pró­prio de co­me­mo­ração dos 75 anos da Vi­tória sobre o nazi-fas­cismo, que, de­vido ao quadro de emer­gência sa­ni­tária, não in­clui a 4.ª Festa da Vi­tória e da Paz e o des­file do Re­gi­mento Imortal, pro­mo­vidas em con­junto com a As­so­ci­ação Chance + e ou­tras en­ti­dades.

Re­cen­te­mente, os ór­gãos di­ri­gentes da as­so­ci­ação de­ci­diram alargar até 2021 o leque de ac­ções pre­vistas até final deste ano, pro­mover ini­ci­a­tivas pela In­ternet até 9 de Maio e, logo que seja pos­sível, reunir o grupo de tra­balho das co­me­mo­ra­ções para que sejam ana­li­sadas todas as pos­si­bi­li­dades de re­pro­gra­mação.

Entre as co­me­mo­ra­ções que de­correm na In­ternet, há de­sa­fios e pro­postas abertas à par­ti­ci­pação, como são os casos do Re­gi­mento Imortal de Lisboa on­line, o Re­gi­mento Imortal na Minha Ja­nela, a ma­ra­tona mu­sical Ecos da Finda Guerra, o con­curso de de­cla­mação de po­esia Musa em Ca­pote de Sol­dado, Por­tu­gueses a Cantar Ka­tiucha. É ainda pos­sível as­sistir ao vídeo-con­certo Vi­tória e Paz, ao des­file on­line do Re­gi­mento Imortal e a filmes russos de ficção sobre a guerra, com le­gendas em por­tu­guês.

Ho­rá­rios, re­gu­la­mentos e ou­tras in­for­ma­ções em www.as­so­ci­a­ca­o­ga­garin.pt/​index.php/​no­ti­cias/​161-co­me­mo­racao-dos-75-anos-da-vi­toria-sobre-o-nazi-fas­cismo.




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