É na exploração que o capitalismo assenta o seu funcionamento. Por mais voltas que se lhe dê, nestes séculos que levamos de sistema capitalista, confirmam-se a cada dia que passa os seus principais traços e o seu carácter.
Predador, esgotando todos os recursos para assegurar lucros crescentes e imediatos; agressivo, não hesitando em recorrer a todos os meios violentos e até à guerra para impor o seu domínio; opressor, não se coibindo de subjugar quem se lhe apresente pela frente, seja um ser humano, sejam povos inteiros; injusto e desumano, condenando milhões de seres humanos a condições de vida indignas, à miséria e mesmo à morte para alimentar a sua gula – assim é o capitalismo. Por mais melhorias a que tenha sido obrigado pela luta dos trabalhadores (e o muito que já foi conquistado exigiu os maiores sacrifícios de gerações sucessivas), a exploração, com a apropriação pelos detentores do capital da parte de leão da riqueza produzida por quem trabalha, constitui o elemento central que o caracteriza.
Exploração que se agrava, não obstante os extraordinários avanços da ciência e da técnica terem permitido fazer crescer a produção para níveis nunca antes imaginados, que permitiriam a satisfação de todas as necessidades humanas.
Com a introdução da maquinaria, da automação, da robotização, cada operário, cada trabalhador, produz cada vez mais, no mesmo período de tempo. No entanto, esse acréscimo de riqueza produzida é integralmente apropriado pelos detentores do capital e a parte que cabe aos trabalhadores na distribuição do rendimento nacional vem mesmo a ser reduzida, ao passo que o rendimento que é apropriado pelo capital aumenta e é mesmo já a maior parte.
Com o objectivo de acentuar e perpetuar a exploração, o capital prossegue a sua brutal ofensiva para aumentar ou desregular os horários de trabalho, intensificar, até à exaustão, os ritmos de trabalho, reduzir ou mesmo retirar direitos, diminuir salários, usando para isso a chantagem e a repressão, tendo a precariedade como arma, tentando dividir os trabalhadores e perseguindo os que se destacam na defesa dos seus colegas, e particularmente os que assumem responsabilidades sindicais, para impedir a sua organização, unidade e luta, contando sempre com a cumplicidade e a acção enquadradora de sucessivos governos e maiorias da política de direita.
Só o trabalhador produz riqueza
Pelas páginas do nosso Avante!, passam semanalmente exemplos diversos dessa ofensiva. O trabalho está na base da produção da riqueza. Os trabalhadores são os pilares sobre os quais assenta o crescimento e o desenvolvimento das sociedades. Esse trabalho, manual ou intelectual, e os trabalhadores que o desenvolvem, têm, por isso, que ser valorizados.
É esse o objectivo da acção nacional que o Partido tem em desenvolvimento – Valorizar o trabalho e os Trabalhadores. Não à Exploração –, procurando denunciar a ofensiva patronal, contribuir para a mobilização dos trabalhadores para a acção reivindicativa e a luta, afirmar as propostas e o projecto do Partido, promover a sindicalização e o reforço do Movimento Sindical Unitário e das Organizações Representativas dos Trabalhadores.
Só o PCP poderia assumir como central no seu plano de trabalho uma acção desta natureza, exactamente porque, como nenhum outro partido em Portugal, se assume como o Partido da classe operária e de todos os trabalhadores. Porque coloca no centro da Política Patriótica e de Esquerda que propõe ao povo português os interesses, direitos e aspirações dos trabalhadores, sabendo como isso é útil aos outros sectores e camadas da população. Porque assume como objectivo final da sua luta o fim da exploração e a destruição do sistema que lhe dá origem!