Quanto ao OE para 2020, o quadro não é bom
«O nosso primeiro compromisso é com os trabalhadores e o povo»

PARTIDO Para merecer o voto favorável do PCP, o Orçamento do Estado (OE) tem de responder aos direitos e rendimentos de quem trabalha ou já trabalhou, reiterou Jerónimo de Sousa em iniciativas no fim-de-semana.

Na recta final para a entrega formal do OE para 2020 por parte do Governo, o tema dominou boa parte das intervenções do Secretário-geral do Partido, em Braga, no sábado, e em Cascais, no domingo.

No Minho, perante mais de 250 camaradas e amigos que compareceram ao já habitual jantar de Fim de Ano promovido pela Organização Regional de Braga do PCP (entre os quais alguns jovens que recentemente aderiram à Juventude Comunista Portuguesa), Jerónimo de Sousa garantiu que o voto do PCP será decidido em conformidade com as respostas que o Governo der aos trabalhadores e ao povo.

A anteceder o dirigente comunista, usaram da palavra Inês Rodrigues, da Direcção Nacional da JCP, e Gonçalo Oliveira, da Comissão Política do Comité Central. A primeira, para recordar o ano de intensas lutas e a vontade de renovar forças e continuar, e para saudar os estudantes da Escola Secundária Dona Maria II, em Braga, que no dia anterior [sexta-feira, 13] se concentraram à porta da escola expondo a grave situação da falta de funcionários.

Gonçalo Oliveira, por seu lado, referindo-se aos baixos salários e às más condições de trabalho em grande parte das empresas do distrito, lembrou que no maior grupo português do sector do calçado, o Kyaia, os trabalhadores se vêem confrontados com a tentativa da empresa lhes impor mais 20 minutos de trabalho não pago. «Querem exemplo mais literal de exploração do que este?», disse. E reafirmando, em seguida, a disponibilidade do PCP para mobilizar os trabalhadores e as populações do distrito de Braga, manifestou confiança de que estes reconhecerão o Partido como o único que está sempre ao seu lado na defesa dos seus direitos e interesses,.

Justas apreensões

Ora, a encerrar a iniciativa levada a cabo na Cantina da AGERE, o Secretário-geral do PCP não deixou de expressar satisfação pelo facto de o jantar-comício ter sido concretizado com imprescindível trabalho militante. Debruçando-se, no entanto, sobre o tema do momento – o OE para 2020, defendeu que a melhor resposta à campanha que tem sido movida contra o Serviço Nacional de Saúde (SNS) é a que tem sido proposta pelo PCP: o reforço da dotação orçamental para que se possa cumprir o direito à Saúde.

Outras preocupações deixadas em Braga por Jerónimo de Sousa prendem-se com a necessidade de promover a justiça social e o desenvolvimento económico, ou do aumento geral dos salários, incluindo do Salário Mínimo Nacional.

Semelhantes apreensões transmitiu o dirigente comunista, domingo, no almoço promovido pela Comissão Concelhia de Cascais, em cuja concretização, realçou, se identifica «a diferença do colectivo do PCP» face a outros partidos, já que neste «homens e mulheres criam condições para o êxito das iniciativas sem pedir nada em troca».

Também em Cascais, antes do Secretário-geral do Partido, subiu à tribuna um dirigente nacional da JCP, Diogo Pinto, para quem as lutas recentes nas faculdades de Letras de Lisboa e na de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, bem como a intensificação reivindicativa dos jovens contra a precariedade laboral, atestam a justeza da orientação e prática da organização revolucionária da juventude.

Coube porém a Jerónimo de Sousa voltar ao prato forte da actualidade política nacional, e assim, recordando que o programa do executivo minoritário do PS já evidenciava «uma matriz em que os critérios e imposições da UE estão garantidos», no qual as chamadas «contas certas» são para cumprir com «o défice, o grande capital e uma dívida impagável», não é de estranhar que agora «não sobre nada ou sobre muito pouco para responder aos problemas que aí estão colocados na ordem do dia».

«Se se consomem milhares de milhões de euros na dívida e no défice, se estão disponíveis para acudir de novo ao Novo Banco, é natural que tenhamos respostas como aquela avançada para o aumento dos trabalhadores da Administração Pública», ou propostas semelhantes a roçar o insulto como o aumento dos reformados em dois ou três euros, insistiu.

Mas se o programa do Governo era já um mau sinal, quanto ao OE para 2020 «o quadro não é bom», prosseguiu o Secretário-geral do PCP, que ressalvando que os comunistas só tomarão posição perante o conteúdo concreto do documento, não deixou de reiterar que «para merecer um posicionamento favorável do PCP, tem de dar resposta aos problemas dos trabalhadores, dos reformados, dos micro, pequenos e médios empresários, ao SNS, à Escola Pública ou aos transportes».

«Tal como fizemos durante quatro anos, o nosso primeiro e principal compromisso é com os trabalhadores e o povo», advertiu.



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