- Nº 2399 (2019/11/21)

Até ao fim. Sobre a acção dos 5000 contactos

Opinião

O Comité Central do Partido (CC) lançou, no quadro da Resolução Sobre o Reforço do Partido. Por um PCP mais forte e influente, a acção nacional de contacto com 5000 trabalhadores por conta de outrem, com o objectivo de lhes colocar a questão de aderirem ao PCP.

Na reunião de 8 de Outubro de 2019, o CC anunciou que tínhamos, até àquele momento, concretizado mais de 3500 conversas com trabalhadores no âmbito desta acção, dos quais mais de 1000 tinham já aderido ao Partido. Factos que fazem desta acção um assinalável êxito do Partido.

Êxito, desde logo, porque colocou às organizações e a cada um dos militantes a tarefa (concretizada, no essencial) de olhar à sua volta e identificar os homens e mulheres que, pelo seu carácter, pelo seu compromisso com os interesses de classe dos trabalhadores, pela sua atitude perante a ofensiva do patronato e a resistência dos trabalhadores, pelo seu papel na luta, pelas suas posições face à política de direita dos sucessivos governos, devesse ser confrontado com a importância de aderir ao Partido.

Êxito porque se passou desse levantamento nominal ao contacto concreto com a maioria desses trabalhadores, colocando-lhe a questão da adesão ao Partido, e porque se ouviu as razões dos mais de mil que já aderiram, alguns dos quais que só o não fizeram antes porque ninguém lhes tinha falado nisso, mas também as razões dos que ainda não decidiram dar esse passo.

Êxito também porque nessas conversas se tomou contacto com tantas realidades insuficientemente conhecidas, se aprofundaram informações sobre diversos problemas, se tornaram mais claros os contornos da exploração e do seu agravamento, se abriram perspectivas de iniciativa e mesmo de lutas.

Êxito porque a partir destes recrutamentos foi já possível recompor organizações do Partido em empresas e locais de trabalho, criar células de empresa, reforçar organismos, e, consequentemente, editar boletins, afirmar a posição do Partido face a novos problemas, dinamizar a luta e mobilizar os trabalhadores para a defesa dos seus direitos.

Êxito ainda porque cada um dos que não aderiu agora ao Partido estreitou laços e assumiu compromissos, passou a ser contactado regularmente para as acções da CDU e do Partido, esteve na Festa do Avante!, apenas como visitante ou mesmo como participante, em pequenas ou grandes tarefas.

O presente do Partido

Significa isto que estamos satisfeitos? Nada disso. Só se poderá ficar satisfeito quando esta tarefa estiver concluída, ou seja, quando se assegurar a realização de 5000 conversas com os resultados que daí advenham.

Nesta recta final, o empenhamento das organizações do Partido terá de ser redobrado. Será necessário assegurar a rediscussão de objectivos e listagens de contactos a fazer. Será necessário retomar ou reforçar o controlo de execução semanal. Será necessário tomar de novo medidas para marcar conversas e para as concretizar.

Já muitas vezes se disse que se trata não do futuro do Partido mas do seu presente. Do seu reforço no que é o seu coração, na ligação ao proletariado, à classe operária e a todos os trabalhadores. Da garantia da sua natureza de classe.

Na intensa luta de classes que todos os dias se desenvolve entre o capital e o trabalho, nós assumimos um lado, representamos uma parte. Exactamente como cada um dos outros partidos. A única diferença é que nós assumimos o que somos, o que queremos e o que defendemos, pelo que até há quem nos critique por falarmos sempre dos direitos dos trabalhadores e dos salários ou dos horários.

Levar até ao fim a campanha dos 5000 contactos, tarefa que só depende de nós, das nossas forças e da nossa determinação, será um importante contributo para, a partir de uma posição reforçada junto dos trabalhadores e da classe operária, defendermos, com redobrada energia, os seus interesses e, portanto, porque são em tudo convergentes, os interesses de todas as classes e camadas vítimas da política de direita.

É isso que lhes dói!


João Frazão