Campanha de mil vozes
AVANÇAR Um comício-festa em Loures marcou o primeiro dia de campanha eleitoral da CDU. Na iniciativa, foi apresentado o hino que vai acompanhar a Coligação nas próximas duas semanas.
O voto na CDU é útil
A divulgação pública do hino foi um dos pontos altos de uma jornada que começou na manhã de domingo com um encontro com homens e mulheres da Cultura (ver caixas), e que registou ainda um almoço de casa cheia em Oeiras.
Em Valejas (Oeiras), acompanhado por outros candidatos do PCP-PEV pelo círculo eleitoral de Lisboa, Jerónimo de Sousa sublinhou duas mensagens que comunistas e ecologistas pretendem fazer passar até à abertura das urnas: o reforço da CDU está em aberto e o PS não pode ser deixado de mãos livres para prosseguir a política de direita, que foi e é a sua matriz.
Mariana Silva, em nome do Partido «Os Verdes», antecedeu o Secretário-geral do PCP no apelo à mobilização colectiva, convocando todos a serem «os candidatos que não estão nas listas», mas foi o dirigente do Partido quem acentuou mais essa necessidade.
Primeiro, insistindo no combate à bipolarização que afirma que a 6 de Outubro se elege um primeiro-ministro ou se escolhe entre um partido «vencedor». Depois, lembrando que «não tendo o PS mudado a sua natureza», é no reforço da CDU que reside a mais sólida garantia de prosseguir e aprofundar os avanços registados nos últimos anos.
As ideias de que o resultado da CDU está ainda por construir e de que o voto na CDU é útil para impedir que o PS volte a escancarar a porta à política de direita, voltaram a estar no centro da intervenção de Jerónimo de Sousa no comício-festa em Loures, no qual Bernardino Soares, antes, resumiu algumas das razões-chave para confiar no PCP-PEV.
«Este é o tempo de lembrar toda a gente que tem de fazer uma opção entre fazer o País avançar, dando mais força à CDU, ou permitir que ele ande para trás, com o PS de mãos livres», alertou Jerónimo de Sousa, antes de assegurar que «vamos disputar voto a voto a eleição de mais deputados» numa campanha que, já tinha realçado, é «de mil vozes, mil rostos e mil vontades».
«Pelo sonho e pela razão»
A CDU apresentou em Loures o hino que vai acompanhar a Coligação. Chama-se «Pelo sonho e pela razão», tem letra de João Monge e composição de Paulo de Carvalho, que levou ao palco do comício um espectáculo de encher a alma.
No final, o músico chamou Sofia Lisboa para dar a conhecer o hino, interpretado por esta, pelo próprio Paulo de Carvalho, pelo fadista Duarte e por Catarina Moura. Um sinal de compromisso para com os valores e projecto da CDU, considerou Sofia Lisboa.
Sem Cultura não há democracia
«A Cultura não é uma despesa, é um investimento», afirmou Jerónimo de Sousa no encontro com homens e mulheres da Cultura. A iniciativa realizada no Museu do Aljube, foi um significativo sinal do vínculo da CDU para com a promoção da memória e da verdade, para com a valorização do património, a livre criação, fruição e acesso à Cultura, considerou Luís Farinha, Director da instituição.
Esse mesmo compromisso foi também realçado pelos testemunhos feitos de viva voz, designadamente dando conta da muita e valorosa intervenção dos comunistas e dos seus aliados em defesa do sector e dos seus profissionais, cujas lutas atingiram nos últimos singular relevo.
Estes foram aspectos que o Secretário-Geral do PCP não deixou passar em claro, recordando que além do financiamento – central, imprescindível –, factores como a precariedade dos vínculos, os baixos salários e as débeis condições laborais no sector, têm de ser tidos em conta para que a democracia não seja truncada de uma das suas componentes essenciais: a Cultura.