Pelas sessões contínuas do CineAvante! passou um cinema que olhou Portugal e o resto do mundo, com expressões artísticas plurais. Manteve-se a aposta nos filmes portugueses de raízes populares e desafios estéticos que muitas vezes não chegam aos espectadores. No contexto dos 45 anos do 25 de Abril, As Armas e o Povo (1975), documento fundamental do processo revolucionário, foi apresentado por Paulo Cunha, da Universidade da Beira Interior, que destacou «a diversidade cultural e étnica da Festa, a sua capacidade de lançar debates e de não deixar as pessoas esquecerem, mostrando o que os media não mostram, como a luta pelo Saara Ocidental livre».
Miguel Ribeiro, do DocLisboa, apresentou Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (2018), de João Salaviza e Renée Nader Messora, filmado com a comunidade indígena krahô do norte do Brasil, e chamou a atenção para a qualidade do programa do CineAvante! deste ano, «e os diálogos que cria». Paulo Carneiro falou do seu Bostofrio (2019), retrato de uma aldeia de Boticas, Vila Real, como sendo «do povo e para o povo» – terá estreia comercial a 7 de Novembro. Tiago Cerveira e Rodrigo Oliveira, realizadores de 15 Memórias do Fogo (2018), agradeceram a inclusão do seu filme «feito com poucos meios para responder à urgência, no meio de obras tão relevantes», pela voz de Tiago. «As pessoas que nos governam não sentem na pele este flagelo» do abandono do interior e dos incêndios, continuou Rodrigo. O cineasta alentejano David Mira, autor de Lá Longe (2013), disse que registou o sentimento de «desterro de muitos alentejanos quando tiveram que abandonar o trabalho no campo para trabalhar em fábricas na grande Lisboa».
Tino Navarro, produtor de Parque Mayer (2018), salientou a importância de exibir um filme que expõe a repressão fascista num evento com a dimensão política e cultural da Festa e neste momento histórico. «Os filmes não mudam o mundo, mas alertam, informam, consciencializam», acrescentou. Por essa razão foram exibidos os documentários Gaza (2018), sobre a opressão do povo palestiniano, e O Silêncio dos Outros (2018), apresentado por Domingos Abrantes sobre as vítimas do franquismo.
A colaboração com a Monstra – Festival de Cinema de Animação de Lisboa garantiu as já habituais e concorridas duas sessões da manhã, este ano com três filmes em torno do 25 de Abril. Pela primeira vez, três oficinas de cinema de animação permitiram que as crianças «explorassem os espaços da Festa e utilizassem os seus telemóveis como instrumentos de criação artística», como explicou Fernando Galrito, director da Monstra. A adesão foi tão grande como a alegria.