«As forças do progresso e da paz podem derrotar as políticas de guerra»

NU­CLEAR «A única forma de im­pedir que ca­tás­trofes como a de Hi­ro­xima e Na­ga­sáqui se re­pitam é in­ten­si­ficar a luta e a acção po­lí­tica contra as in­ge­rên­cias e agres­sões do im­pe­ri­a­lismo e as­sumir como pri­o­ri­dade o de­sar­ma­mento nu­clear», lem­brou o PCP.

O PCP rei­tera o seu apoio ao Tra­tado de Proi­bição de Armas Nu­cle­ares

Em de­cla­ração po­lí­tica, na se­mana pas­sada, a pro­pó­sito dos 74 do lan­ça­mento pelos EUA das bombas ató­micas sobre as ci­dades ja­po­nesas de Hi­ro­xima e Na­ga­sáqui, a 6 e 9 de Agosto de 1945, Ângelo Alves, da Co­missão Po­lí­tica do Co­mité Cen­tral do PCP, prestou, em nome do Par­tido, «ho­me­nagem às ví­timas deste mons­truoso crime im­pe­ri­a­lista que não pode cair no es­que­ci­mento».

Por isso, de­fende o PCP, «é dever de todas as forças da paz e do pro­gresso pre­servar a me­mória e de­fender a ver­dade sobre o ho­lo­causto nu­clear», mas «é igual­mente im­pe­rioso de­nun­ciar e re­pu­diar as ten­ta­tivas de re­es­crita da his­tória de um crime que apenas visou afirmar o po­derio mi­litar dos EUA».

«De­dicar forças à luta para que a Hu­ma­ni­dade nunca mais co­nheça o terror do uso da arma nu­clear» numa si­tu­ação in­ter­na­ci­onal em que «que os sec­tores mais re­ac­ci­o­ná­rios e agres­sivos im­pe­ri­a­listas apostam de forma cres­cente no mi­li­ta­rismo, no fas­cismo e na guerra como “saída” para as in­sa­ná­veis con­tra­di­ções do sis­tema ca­pi­ta­lista», as­sume mesmo um ca­rácter de «emer­gência», su­bli­nhou Ângelo Alves, que de­ta­lhou:

«O mundo, e em par­ti­cular os amantes da Paz, só podem olhar com pro­funda in­qui­e­tação para o enorme pe­rigo em que con­siste a re­cente de­cisão da Ad­mi­nis­tração norte-ame­ri­cana de rasgar o Tra­tado de Forças Nu­cle­ares de Al­cance In­ter­médio (INF) - um dos tra­tados fun­da­men­tais para con­trolo de armas nu­cle­ares entre os dois países que são res­pon­sá­veis por 94 por cento dos ar­se­nais nu­cle­ares exis­tentes no Mundo (EUA e Fe­de­ração Russa) – bem como as de­cla­ra­ções da­quela Ad­mi­nis­tração apon­tando para a de­cisão do aban­dono pelos EUA do Tra­tado de Re­dução de Armas Es­tra­té­gicas (New START) em 2021».

Tensão cres­cente

«Tais de­ci­sões», para o PCP, «visam so­bre­tudo o de­sen­vol­vi­mento e a ex­pansão ter­ri­to­rial dos ar­ma­mentos nu­cle­ares dos EUA em todo o Mundo, no­me­a­da­mente no leste da Eu­ropa e no ex­tremo ori­ente, e cons­ti­tuem au­tên­ticos aten­tados à paz e se­gu­rança in­ter­na­ci­o­nais, co­lo­cando na ordem do dia o pe­rigo de uma nova ca­tás­trofe nu­clear que po­derá pôr em causa toda a Hu­ma­ni­dade».

O ob­jec­tivo do re­curso cres­cente à «chan­tagem nu­clear» pro­ta­go­ni­zado pelas «prin­ci­pais po­tên­cias im­pe­ri­a­listas - com des­taque para os EUA e seus ali­ados na NATO que são res­pon­sá­veis pela es­ma­ga­dora mai­oria dos gastos mi­li­tares mun­diais e de­ten­toras da mai­oria das 16 mil ogivas nu­cle­ares exis­tentes no Mundo», ex­plicou ainda Ângelo Alves, é in­ten­si­ficar «ma­no­bras de de­ses­ta­bi­li­zação e in­ge­rência aberta» e «con­fronto com grandes países como a Fe­de­ração Russa e Re­pú­blica Po­pular da China». Ao que acresce «o acu­mular de focos de tensão em vá­rias re­giões do globo, com des­taque para o Médio Ori­ente e para a Amé­rica La­tina» e «o de­sen­vol­vi­mento de novas e mais po­de­rosas armas de des­truição mas­siva».

Assim, de­fende o Par­tido, «a única forma de im­pedir que ca­tás­trofes como a de Hi­ro­xima e Na­ga­sáqui se re­pitam é in­ten­si­ficar a luta e a acção po­lí­tica contra as in­ge­rên­cias e agres­sões do im­pe­ri­a­lismo e as­sumir como pri­o­ri­dade o de­sar­ma­mento, co­me­çando pelo de­sar­ma­mento nu­clear, e a de­fesa da so­lução pa­cí­fica de con­flitos no quadro do diá­logo in­ter­na­ci­onal res­pei­tador da igual­dade e so­be­rania das na­ções e dos di­reitos dos povos».

Evitar a ca­tás­trofe

«Num mo­mento em que a re­tó­rica be­li­cista das prin­ci­pais po­tên­cias im­pe­ri­a­listas é acom­pa­nhada da pro­moção do po­pu­lismo e de ide­o­lo­gias aber­ta­mente re­ac­ci­o­ná­rias e fas­cistas, em que novas men­tiras e ma­no­bras de pro­pa­ganda são de­sen­ca­de­adas para jus­ti­ficar de­rivas mi­li­ta­ristas, se­cu­ri­tá­rias e agres­sivas, os povos e os Go­vernos devem re­flectir sobre as li­ções de Hi­ro­xima e Na­ga­sáqui», alerta igual­mente o PCP, que lembra que «no res­peito pelo que a Cons­ti­tuição da Re­pú­blica es­ta­be­lece, o que se exige do Es­tado por­tu­guês não é uma po­sição de sub­missão ao im­pe­ri­a­lismo e à sua es­tra­tégia de do­mínio, con­fron­tação e guerra, mas sim uma po­lí­tica ex­terna pa­trió­tica que afirme a so­be­rania e in­de­pen­dência na­ci­o­nais, que pugne pelo fim da cor­rida aos ar­ma­mentos, pelo de­sar­ma­mento - em pri­meiro lugar o de­sar­ma­mento nu­clear - pela co­o­pe­ração, a paz e a ami­zade entre os povos».

Neste quadro, lem­brou por fim Ângelo Alves, «o PCP rei­tera a sua po­sição de apoio ao Tra­tado de Proi­bição de Armas Nu­cle­ares» e «afirma a sua in­tenção de, na pró­xima le­gis­la­tura, re­a­pre­sentar o Pro­jecto de Re­so­lução que re­co­menda a sua ra­ti­fi­cação», chum­bado por PS, PSD e CDS no pas­sado dia 5 de Julho.

«O PCP afirma si­mul­ta­ne­a­mente a sua con­fi­ança de que a luta das forças do pro­gresso e da paz de todo o Mundo podem der­rotar as po­lí­ticas de guerra, agressão e ex­plo­ração do im­pe­ri­a­lismo».




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E, pa­ra­fra­se­ando Brecht, temos o mote para um ar­tigo sobre cul­tura fi­na­li­zada a XIII le­gis­la­tiva no nosso País. Do tanto que foi pro­posto pelo PCP ao tanto que fica por fazer, uma es­pécie de ba­lanço e ar­re­messo de pro­postas para uma po­lí­tica di­fe­rente. Porque, também na cul­tura, é pre­ciso avançar!