- Nº 2383 (2019/08/1)

Apelo à preservação da paz na América Latina e Caraíbas

Internacional

FÓRUM Preservar a paz na Venezuela e em toda a América Latina e Caraíbas constitui uma prioridade para os partidos e organizações políticas e sociais integrantes do Fórum de S. Paulo, reunidos em Caracas.

Na declaração final da 25.ª reunião do Fórum de S. Paulo, realizada de 25 a 28 de Julho na capital venezuelana, apelou-se à promoção da solidariedade com a defesa da soberania e a autodeterminação do povo da Venezuela. O documento aprovado expressou o apoio ao diálogo entre o governo bolivariano e a oposição, por ser «uma expressão genuína da democracia e das liberdades» existentes no país e rejeitou as ameaças de intervenção militar, as sanções económicas e o cerco diplomático implementado pelos Estados Unidos contra a Venezuela.

A exigência do fim incondicional, total e definitivo do bloqueio económico, comercial e financeiro de Washington contra Cuba e a devolução, ao país caribenho, do território ocupado ilegalmente pela base naval de Guantánamo marcaram também a declaração do Fórum de S. Paulo.

Além disso, os partidos, organizações políticas e movimentos sociais reunidos em Caracas advogaram o reforço da defesa da proclamação da América Latina e Caraíbas como zona de paz, aprovada na II Cimeira da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em Havana. Consideraram urgente e vital defender essa organização como «o maior acontecimento unitário dos últimos 200 anos e semear a ideia da integração nos nossos povos».

De igual modo, apelaram a repudiar a perigosa presença militar dos EUA e seus aliados da NATO nas Caraíbas, com fins claramente agressivos e de pressão sobre os países da zona.

Pela paz, soberania e prosperidade dos povos
O Fórum de S. Paulo denunciou a ingerência da Organização dos Estados Americanos e condenou a guerra não convencional imposta pela Casa Branca contra os governos contrários às suas ordens e interesses.

Nesse sentido, repudiou a intervenção de Washington nos assuntos internos da Nicarágua mediante sanções económicas e «uma inaceitável tentativa de golpe de Estado, derrotada pelo povo nicaraguense, cujo direito à paz deve ser defendido por todos».

Condenou também o assassinato sistemático de activistas e líderes sociais na Colômbia, e ex-guerrilheiros, e exigiu ao governo do presidente Iván Duque o cumprimento dos acordos de paz assinados com as extintas Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia-Exército da Colômbia e o reinício do diálogo com o Exército de Libertação Nacional.

Exortou ao fortalecimento do movimento de solidariedade para exigir a liberdade imediata do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, «vítima de um abusivo, ilegal e indigno exercício do poder judicial contra ele».

De igual modo, o Fórum de S. Paulo confirmou o apoio ao povo hondurenho na sua luta em defesa dos seus direitos, contra as políticas neoliberais e a corrupção, ao mesmo tempo que rejeitou a criminalização dos migrantes pela parte dos Estados Unidos e apoiou a reclamação da independência para Porto Rico.

Participaram na 25.ª reunião anual do Fórum de S. Paulo, sob o lema «Pela Paz, Soberania e Prosperidade dos Povos», representantes de mais de 150 organizações de 70 países. Na sessão do último dia estiveram presentes os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel.

Foi, entretanto, anunciado que se realizará em Havana, de 1 a 3 de Novembro próximo, um Encontro de Solidariedade Anti-imperialista pela Democracia e contra o Neoliberalismo, para o qual foram convidados os participantes do Fórum de S. Paulo.

O anúncio foi feito por Víctor Gaute, membro do Secretariado do Comité Central do Partido Comunista de Cuba, no decorrer do Fórum de S. Paulo, no seminário sobre Experiências e Perspectivas dos Governos Progressistas da América Latina e Caraíbas.

O PCP fez-se representar por Agostinho Lopes, do Comité Central, e Cristina Cardoso, da Secção Internacional. Esteve ainda presente Sandra Pereira, deputada do PCP no Parlamento Europeu e membro da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana (EUROLAT), integrando a delegação do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/ Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL).