c. 2300 a.C. – Nasce a poetisa Enheduana

O primeiro artefacto descoberto com inscrições que atestam a existência de Enheduana, filha de Sargão, Rei de Acádia, é um disco com a efígide da princesa acádia em destaque. Encontrado em 1925 pelo arqueólogo britânico Sir Leonard Woolley, a quem se deve também a descoberta do complexo do templo onde as sacerdotisas eram enterradas no Império Acádio, Mesopotâmia, o disco só anos mais tarde viria a ser reconhecido como prova da importância de Enheduana, quando Adam Falkenstein, especialista alemão em estudos assírios, publicou o primeiro artigo académico sobre ela. Enheduana foi a primeira mulher conhecida a ter o título de EN, Alta Sacerdotisa, um papel de grande importância política que uniu acádios e sumérios sob um único governo e uma religião comum. «...Estamos na presença de uma mulher que foi ao mesmo tempo princesa, sacerdotisa, poetisa, enfim, uma personalidade que estabeleceu padrões em todos os papéis que desempenhou... e cujos méritos foram reconhecidos muito depois», escrevem W. Hallo e J.J.A. van Djik em The Exaltation of Inanna. Enheduana criou paradigmas de poesia, salmos e orações usados no mundo antigo, dando origem aos géneros hoje reconhecidos, e foi a primeira escritora na história a assinar a autoria de suas obras.