Uma Festa diferente, mais ecológica e portadora dos valores de Abril
AVANTE! No dia 5 de Junho, foram apresentados os aspectos centrais do Programa da Festa do Avante!, que vai realizar a sua 43.ª edição nos dias 6, 7 e 8 de Setembro, na Quinta da Atalaia, Seixal. O destaque vai para o amplo e vasto programa cultural, com o melhor da música, teatro, cinema, exposições, artes plásticas, ciência, livro e desporto. A programação da Festa pode ser consultada em festadoavante.pcp.pt.
Serão introduzidas medidas para a significativa redução do plástico
No B.Leza – espaço de músicas do mundo, com uma vista deslumbrante para o Tejo e para a Margem Sul – estiveram muitos dos artistas que vão subir aos palcos daquela que se assume como uma Festa para todos, pelo ambiente de amizade, camaradagem e fraternidade que proporciona, pela valorização da cultura, das artes, dos espectáculos, do desporto.
Alexandre Araújo, do Secretariado do Comité Central do PCP, lembrou que a Festa vai assinalar o 45.º aniversário da Revolução de Abril, destacando-se a exposição «Com os valores de Abril – Construir um Portugal com futuro», no Pavilhão Central. Naquele espaço, o visitante pode também percorrer uma mostra sobre «Cortiça».
Salientado foi também a preocupação em ter uma Festa «cada vez mais bonita e limpa», com a «redução e reciclagem dos lixos produzidos». «Vão ser acentuadas medidas para a sensibilização dos visitantes e para o aumento da percentagem de reciclagem», que, na edição anterior, ascendeu a perto de três toneladas de papel e cartão, três toneladas de embalagens e cinco toneladas de vidro, informou Alexandre Araújo,
«Nesta edição serão introduzidas medidas para a significativa redução do plástico, substituindo a utilização de pratos, taças e talheres por materiais biodegradáveis com base vegetal e para o aumento da oferta disponível de canecas e copos reutilizáveis», disse ainda.
Por outro lado, revelou, «foram plantadas mais de 350 árvores e mais de 500 arbustos nos últimos anos», de modo a «criar mais sombras e tornar o espaço mais agradável».
Entre muitas outras novidades, o comboio no recinto, que no ano passado suscitou tanto interesse e curiosidade, vai este ano ver a sua oferta reforçada com dois veículos.
10 palcos
Para dar conta dos espectáculos que se vão realizar no Palco 25 de Abril e no Auditório 1.º de Maio intervieram Manuel Jorge Veloso e Madalena Santos, da Comissão de Espectáculos e da Direcção Nacional da Festa do Avante!, respectivamente.
Àqueles juntam-se os palcos de Setúbal, Alentejo, Solidariedade, Raízes, Café Concerto de Lisboa, Espaço do Fado, Palco Novos Valores e Avanteatro. A iniciativa foi moderada por Cláudia Varandas, da Comissão Política e da Direcção Nacional da JCP.
Madalena Santos salientou algumas das qualidades da Festa, do povo, que «a diferencia de todos os outros ditos festivais», temáticos. «No plano da música, é feita para todo o tipo de público, gostos e idades», frisou, dando conta das muitas «centenas de artistas, quer nacionais, quer estrangeiros», que «a Festa deu a conhecer ao longo dos anos». Elencou, de seguida, os vários estilos que se expressaram na Festa, como o rock, o soul, o rap, a música popular portuguesa e do mundo, o fado, o funck, o pop, o minimal repetitivo, o hip-hop, o folk, a fusão, a música africana, tradicional, electrónica, irlandesa e brasileira. «A Festa tem uma riqueza e um património único», garantiu Madalena Santos.
Jazz no 1.º de Maio
Outro domínio musical que, desde a primeira edição, em 1976, na antiga FIL, nunca faltou na Festa foi o jazz, «música essencialmente livre e que vive da própria liberdade, também em termos criativos».
«E se, nos primeiros tempos da Festa, tivemos que nos socorrer, para tal, de grupos estrangeiros, desde há muitos anos para cá que os grupos portugueses têm primazia no Auditório 1.º de Maio, ao contrário do que acontece com outros festivais especializados realizados em Portugal», salientou Manuel Jorge Veloso, manifestando «orgulho» na «escolha» da Festa, que corresponde, também, «à grande evolução da cena do jazz entre nós e ao surgimento de dezenas e dezenas de grandes músicos portugueses, que não empalidecem o cotejo com o jazz internacional».
Este ano, os visitantes podem ver e ouvir César Cardoso Quarteto, com Julian Argüelles, Jeffery Davis «LiftOff» Quarteto e Eduardo Cardinho Quarteto.
«Do Romantismo ao Modernismo»
A Manuel Jorge Veloso coube também falar do concerto de abertura do Palco 25 de Abril, que vai celebrar a Revolução dos Cravos com o Concerto Sinfónico «Do Romantismo ao Modernismo», pela Orquestra Sinfonieta de Lisboa, dirigida pelo maestro Vasco Pearce de Azevedo. Como sublinhou, a escolha do repertório para o concerto inaugural de sexta-feira, 6, é «extremamente brilhante», com «obras» e «compositores que se destacaram entre o século XVII e o século XX».
O espectáculo abre com «Ruy Blas», op. 95 em Dó menos, de Félix Mendelssohn, e prossegue com o Primeiro Andamento da 3.ª Sinfonia, «Renana», op. 97, de Robert Shumann. Seguidamente actuará o «Trio Adamastor», uma formação composta por jovens solistas que já completaram ou ainda completam a sua formação musical na Escola Superior de Música de Lisboa, que vai tocar com a Orquestra o 1.º Andamento do Triplo Concerto, op. 56, para Violino, Violoncelo, Piano e Orquestra, de Beethoven.
O pianista António Rosado tocará, com a Orquestra, a Raposódia op. 43, de Sergei Rachmaninoff, sobre um tema de Paganini. Para terminar: o poema coreográfico «A Valsa», de Maurice Ravel.
Outros espectáculos
Sobre os outros espectáculos, Madalena Santos desvendou que a noite do Fado, com Joana Amendoeira, Teresinha Landeiro e Pedro Moutinho, vai encerrar a programação do Auditório 1.º de Maio. Neste espaço, o primeiro dia é dedicado à música africana, com Bonga e Jon Luz. Liliana Almeida, Kimi Djabate e Rolando Semedo vão homenagear as músicas de dança de Angola, Guiné e Cabo Verde.
Realce, também, para o tributo a Pete Seeger, com os Hill’s Union, por ocasião do centésimo aniversário do cancioneiro, e para os Concertos para Bebés.
A nível internacional, destaque, entre muitos outros, para Sílvia Pérez Cruz (Catalunha), os Téada (Irlanda) e os Warsaw Village Band (Polónia).
Todos os artistas
Nos dois principais palcos vão ainda actuar: Anarchicks; Blind Zero; Cais do Sodré Funk Connection; Canções de Roda (Ana Bacalhau, Jorge Benvinda, Sérgio Godinho e Vitorino); Celina da Piedade (com João Gil e Vozes do Cante); Clã (e convidados); Expensive Soul; Fast Eddie Nelson (e convidados); Jack Broadbend (Reino Unido); Kumpania Algazarra; Mafalda Veiga (com Ana Bacalhau); Moonspell (com Paulo Bragança); Omiri (e convidados); Papillon (e convidados); Quinta do Bill; Sebastião Antunes & Quadrilha; Segue-me à Capela; Terra Livre; The Last Internationale (EUA); Throes + The Shine; Vítor Rua & the Metaphysical Angels; Zorg.
Depoimentos
Celina da Piedade: Será «uma homenagem ao Cante Alentejano no feminino, com o apoio de vozes masculinas».
Papillon: «Vou apresentar o álbum Deepak Looper, uma fusão entre hip-hop, música electrónica e alternativa. É um grande prazer participar nesta Festa. Identifico-me muito com os seus valores.»
Joana Amendoeira: «”Os Fados do Ary” (último álbum da fadista) é um projecto muito pessoal». Será uma celebração do poeta do povo.»
Fast Eddie Nelson: «Vamos fazer um espectáculo de rock and roll. A Festa é uma partilha e estamos unidos nisso».
Moonspell: «É um prazer trazer o heavy metal à Festa. Há muitos anos que temos o sonho de aqui tocar. Somos uma banda, não só de esquerda, mas com alguns membros ligados aos PCP. Vão ver cinco tipos muito felizes a tocar bom metal».
Rita Grácia (Concerto para Bebés): «É um privilégio voltar à Festa. A experiência foi extraordinária. Concentrámos num espectáculo um grande número de gerações».
Bonga, músico que vai comemorar os seus 77 anos no dia da actuação: «A Festa do Avante! é algo de muito sério do ponto de vista musical. O concerto vai ser um “badalo” incrível, “fogo” no bom sentido».
Canções de Roda (António Miguel – agente): «O projecto pretende chamar aquela imensa massa de gente para cantar canções de infância. Será um concerto que acrescentará beleza à Festa».
Anarchicks (Ana): «Estamos todas muito felizes por aqui tocar. De todos os festivais, a Festa é a nossa favorita, pelos valores que defende».
Pedro Moutinho: «Em palco estarão comigo cinco músicos: guitarra portuguesa, viola, baixo, percussões e piano. Será apresentado o meu mais recente álbum: “Um Fado ao Contrário”. Estou muito feliz».
Teresinha Landeiro: «Vou apresentar o meu primeiro álbum, “Namoro”, e alguns temas novos. Será um concerto com muitas surpresas.»
Téada (Joaquim Balas – agente): «São uma banda que se afirma no panorama internacional. Mantém os padrões da música tradicional irlandesa, inovando e recuperando figuras da música tradicional, como Seamus Begley, acordeonista que vai estar presente na Festa».
Warsaw Village Band (Joaquim Balas – agente): «Fizeram uma recuperação extraordinária das músicas tradicionais da Polónia, introduzido novos elementos. É uma banda que agrada ao público do rock, mas também ao mais tradicionalista.»
Sílvia Pérez Cruz (agente): «Vai ser a estreia de um espectáculo que ainda só foi apresentado em Buenos Aires e Montevideo, assim como da Sílvia no Avante!. Tem tudo para ser um concerto muito especial.»
Zorg (Miguel): «Estamos a apresentar o nosso segundo trabalho: “ENÃOERADEUS». Somos um trio que toca rock».
Sebastião Antunes: «O projecto Quadrilha faz 25 anos. Temos um álbum novo e vamos apresentá-lo, com alguns temas mais antigos. É sempre uma alegria poder tocar na Festa».
Vítor Rua & the Metaphysical Angels (Luís Sampaio): «Somos um projecto de música improvisada, estilo que a Festa do Avante! sempre acarinhou. Lembro-me do concerto dos Área. Não há Festa como esta».