Deputados para defender os trabalhadores, o povo e o País

ANÁLISE A CDU sai das eleições do passado domingo, 26, mantendo uma «importante representação no Parlamento Europeu», ao eleger dois deputados, João Ferreira e Sandra Pereira.

Reforço da CDU é o elemento decisivo para avançar com uma política alternativa

Na manhã de segunda-feira, 27, a CDU publicou no seu sítio na Internet uma nota relativa aos resultados das eleições da véspera para o Parlamento Europeu, na qual salienta que a eleição dos dois deputados é uma «garantia sólida, coerente e de confiança na defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País», deixando simultaneamente expressa a certeza de que «assumirão todos os combates pela justiça social, o progresso, a soberania, a cooperação e a paz.

Depois de assegurar que a «força que lhe foi confiada» pelo voto «nunca será defraudada», a CDU sublinha que esse votos e essa confiança «constituem uma importante base de apoio e luta que necessita agora de ser ampliada e projectada para impedir que se ande para trás nas conquistas alcançadas, e se possa avançar na construção de uma verdadeira alternativa política, patriótica e de esquerda, elemento determinante para edificar um País mais justo, desenvolvido e soberano, com melhores condições de vida para os trabalhadores e o povo».

Os resultados eleitorais bem como o desenvolvimento do trabalho e linhas de acção futuras foram entretanto objecto de análise aprofundada, quer por parte do CC do PCP (págs 5 a 11) quer da Comissão Executiva do PEV (pág.21).

Ao início da noite de domingo, numa declaração à comunicação social, João Ferreira defendeu que «cada resultado deve ser apreciado em função do quadro concreto em que é construído». Significa isto que o quadro em que o resultado destas eleições foi construído é «muito diferente do quadro em que o resultado de 2014 foi construído», frisou o primeiro nome da lista CDU, que lembrou desde logo que o País estava então submetido ao pacto de agressão da troika.

Sinal de alerta

Um pouco mais tarde, numa avaliação ao apuramento dos votos feito até esse momento, o Secretário-geral do PCP considerou que o resultado da CDU estava aquém de corresponder «quer ao ambiente de apoio expresso durante a campanha, quer ao reconhecimento que continuadamente foi feito do trabalho da CDU no Parlamento Europeu e da contribuição decisiva do PCP e do PEV para o percurso de avanços nas condições de vida alcançados, nos últimos três anos e meio».

Para Jerónimo de Sousa, que estava ladeado pelos candidatos João Ferreira e Mariana Silva, a mandatária nacional Ana Margarida de Carvalho, a independente, dirigente sindical e activista católica Deolinda Machado, e João Geraldes, da Intervenção Democrática, «com este resultado é a defesa dos interesses do povo e do País no Parlamento Europeu que saem fragilizados».

Sem deixar de atribuir às eleições agora realizadas «inegável significado», o líder comunista considerou porém que as eleições legislativas de Outubro próximo «serão um momento decisivo para determinar o rumo da vida política nacional e a vida do povo português para os próximos anos». Sustentou, por isso, que o resultado obtido «deve constituir sinal de alerta para todos quantos têm nas suas mãos o poder de decidir se querem, com o reforço da CDU, fazer avançar o País e as suas vidas, ou se querem correr o risco de andar para trás e perder o que se conquistou em direitos, salários e pensões de reforma».

«O resultado agora verificado só reforça a necessidade de se ampliar a consciência em mais e mais portugueses de que o reforço da CDU nas eleições legislativas de Outubro é condição central para que o que foi conquistado com a luta e a persistente acção do PCP e do PEV não ande para trás, e para que se avance na defesa, reposição e conquista de direitos», afirmou Jerónimo de Sousa aos jornalistas presentes no Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa.

Depois de abordar o «papel decisivo» da CDU e da luta dos trabalhadores em todos os «avanços alcançados» nestes últimos anos, o responsável comunista, perspectivando o futuro, apontou como direcções prioritárias o «desenvolvimento da luta contra as normas gravosas da legislação laboral, contra a precariedade e a desregulação dos horários de trabalho».

O aumento geral dos salários para todos os trabalhadores, incluindo o aumento do salário mínimo nacional para 850 euros, é outra prioridade assumida pela CDU, tal como é a resposta às necessidades de financiamento dos serviços públicos, a começar pelo «Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, a Segurança Social Pública», mas também o transporte público com o aumento da oferta para suprir actuais carências e resolver problemas ambientais.

Jerónimo de Sousa deixou ainda bem vincada a certeza de que a CDU não deixará de prosseguir a sua intervenção pelo «desenvolvimento soberano do País e pela elevação das condições de vida do povo».

 



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