- Nº 2369 (2019/04/24)

Pequenos produtores, reunidos em Coimbra, dão prazo ao Governo

Nacional

Pequenos e médios agricultores da região centro reuniram-se em Coimbra, sob a égide da CNA (Confederação Nacional de Agricultores), no passado dia 17, como forma de chamarem a atenção para os danos que os javalis e outros animais têm causado às suas culturas e exigir ao Governo que cubra os prejuízos.

No espaço fronteiro à sede da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, os manifestantes declararam que estes «animais, sobretudo os javalis, estão a destruir as culturas agrícolas de centenas de explorações». Os dirigentes da CNA enviaram ao ministro da Agricultura, Capoula Santos, por intermédio do Director Regional Fernando Martins, presidente daquela direcção, uma exposição dando conta das suas preocupações e exigindo «ser ressarcidos» pelos prejuízos. Dizem os pequenos e médios produtores agrícolas, no referido documento, que não são inimigos dos veados, javalis e corsas, nem dos caçadores», o que não quer dizer que tenham de alimentar estes animais. Além disso, «há populações destes animais fora do controlo, em certas regiões», pelo que pedem auxílio ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Ministério da Agricultura e Governo.

Naquele documento, chama-se a atenção do ministro da Agricultura para o «perigo real de se precipitarem problemas graves» na sanidade dos animais caseiros, como os suínos, em risco de contraírem a «peste suína africana, a partir dos javalis».

Os pequenos e médios agricultores, que se afirmam «muito castigados por essas pragas, avisam que «não vão poder continuar a (tentar…) produzir, o que também implica a redução da população agrícola regional e nacional».

E dizem mais: «que o «Governo não cumpriu as suas obrigações institucionais em matéria da sua responsabilidade, como a determinação da densidade das espécies em causa e a garantia de que terceiros tomassem medidas concretas para a correcção das populações dos animais, medidas que, aliás, por norma devem ser previamente aprovadas pelo ICNF».

Por conseguinte, apelam a que «haja respostas concretas e imediatas a tais reclamações, uma vez que o problema se arrasta desde há já muito tempo, sendo que a situação atingiu, no terreno, uma dimensão e um descontrolo» assustadores.

«A situação está fora de controlo e os prejuízos estão sempre a acontecer. Assim, tomamos a liberdade de colocar um prazo de até um mês, a partir da data de hoje, para obtermos resposta, favorável às nossas pretensões, por parte do senhor ministro da Agricultura», concluem.