- Nº 2364 (2019/03/21)

5000 contactos reforçam já hoje o PCP

Em Destaque

ORGANIZAÇÃO A acção de contacto com 5000 trabalhadores tem já reflexos concretos no reforço da organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho e na intensificação da luta contra a exploração.

«A ligação com a classe operária e as massas populares é a essência e a substância da acção do Partido e a origem básica da sua força e da sua capacidade para sobreviver e resistir nas mais duas circunstâncias, para se desenvolver através das situações mais complexas e das mais variadas provas. (…)

«O PCP é filho da classe operária. Se secassem as suas raízes de classe, estaria condenado a envelhecer, a definhar e a morrer. A classe operária é para o Partido a fonte da vida e do permanente rejuvenescimento.»

Álvaro Cunhal, O Partido com Paredes de Vidro

 

A acção foi lançada pelo Comité Central a 21 de Janeiro de 2018, constando na resolução aí aprovada «Sobre o reforço do Partido. Por um PCP mais forte e influente», que contém orientações e medidas concretas, agrupadas em 10 pontos, um dos quais incide sobre a «organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho».

É neste ponto que, entre outras medidas, se definiu a realização de cinco mil contactos com trabalhadores para lhes dar a conhecer as «razões pelas quais devem aderir e reforçar o PCP». Especial prioridade deve ser concedida «aos membros dos ORT e aos que mais se destacam nas empresas na defesa dos trabalhadores».

Desde cedo ficou evidente que esta não era apenas «mais uma» tarefa partidária. Para que as suas imensas potencialidades fossem cabalmente aproveitadas, teria de ser levada a cabo com organização e persistência: identificando nominalmente os trabalhadores a contactar, definindo quem concretiza cada um dos contactos e realizando um regular controlo de execução. Como o Avante! escreveu há um ano, uma tarefa desta dimensão e exigência requeria uma «cuidada organização e planificação, só ao alcance de um colectivo revolucionário como o PCP».

Números e muito mais

Os resultados entretanto alcançados mostram como era certo o que então se afirmou: hoje, há mais de 6000 trabalhadores registados para contactar, estando já concretizadas mais de 2800 conversas, das quais resultaram até ao momento para cima de 800 recrutamentos. Graças a esta acção, e à forma exemplar como está a ser protagonizada pelo colectivo partidário, há militantes comunistas em mais empresas e mais células em funcionamento, umas criadas recentemente, outras consideravelmente reforçadas com novos elementos.

Estes números tão expressivos têm atrás de si pessoas concretas com uma história e um percurso próprios, com motivos específicos que os a dar o passo de aderir ao Partido Comunista Português. Desde então, contribuem também para o reforço da organização e da influência do PCP e da própria luta dos trabalhadores. Nestas páginas revelamos algumas das suas histórias.

Mas os números, sendo expressivos, não mostram tudo. Desde logo porque a acção de contactos está a ter consequências directas na intensificação e alargamento da luta dos trabalhadores pelos seus direitos, dada a presença mais efectiva do PCP nas empresas e locais de trabalho. Além disso, as conversas concretizadas permitiram ao Partido recolher elementos sobre a situação concreta de muitas empresas, úteis para a sua intervenção junto dos próprios trabalhadores ou em instituições em que está representado, como a Assembleia da República ou o Parlamento Europeu.

Levar a acção até ao fim

Ao colectivo partidário está colocado o desafio de levar até ao fim esta audaciosa acção, essencial para reforçar o Partido junto dos trabalhadores e impulsionar a sua luta pela defesa, reposição e conquista de direitos. Se os números em absoluto parecem – e são! – ambiciosos, colocados à escala de uma determinada empresa, e dentro desta, a militantes específicos, revelam-se perfeitamente alcançáveis. Naturalmente, com a dedicação e consciência revolucionária em que o colectivo partidário é pródigo.


Aderir ao PCP foi «decisão fácil»

Moisés Francisco

47 anos, operador de armazém (categoria A) no centro logístico da Sonae (Azambuja)

Moisés Francisco é, há vários anos, delegado sindical do CESP num dos grandes armazéns da Sonae, no Espadanal, concelho de Azambuja. Um dia, conta, foi abordado por um colega do sindicato, que lhe queria falar do PCP, do seu projecto e das suas propostas. Mostrou-se «disponível para ouvir» e a adesão ao Partido foi o passo seguinte: tratou-se, garante, de uma decisão fácil, «pois identificava-me com o que o PCP defende para os trabalhadores e para a sociedade».

Tal como ele, outros trabalhadores foram desafiados a aderir ao Partido no âmbito da acção dos 5000 contactos e foi possível, há cerca de quatro meses, constituir uma célula no centro logístico, que reúne mensalmente: «Até à próxima reunião, em Abril, há mais três contactos para fazer para reforçar ainda mais a célula do Partido», revela. Estes contactos estão agora à responsabilidade dos próprios membros da célula.

A presença organizada do Partido na empresa foi essencial para a dimensão das greves realizadas entre 25 de Fevereiro e 1 de Março pela reposição do direito à pausa no meio de um dos períodos de trabalho e por reivindicações relacionadas com salários, carreiras e precariedade. Neste processo, houve trabalho organizado da célula, que distribuiu propaganda própria aos trabalhadores. A luta ainda não alcançou vitórias, mas os comunistas – como os restantes trabalhadores – não desistem: «A Sonae é um muro que custa a cair, mas nós continuamos firmes.

«Sinto-me mais ciente do meu papel na empresa»

Manuel Teixeira

51 anos, electricista da SPdH, trabalha no aeroporto de Lisboa

Desde há muito que Manuel Teixeira se sente próximo do Partido. O avô paterno era um dedicado militante, assim como o filho, tio de Manuel: «Vivi sempre num meio de esquerda, num meio comunista, e desde que sou maior de idade que voto no PCP», recorda.

Também o sindicato – o SITAVA, filiado na CGTP-IN – faz parte da sua vida há quase três décadas, mas só há cerca de um ano passou a ser delegado sindical. Foi nesta função que compreendeu como seria útil para a sua luta quotidiana aderir ao PCP: «Tenho o meu papel a desempenhar no sindicato, mas faltava-me qualquer coisa, estar mais forte.»

A entrada no Partido foi consumada em Julho do ano passado junto de outros camaradas que trabalham no aeroporto. Desde então, participa regulamente nas reuniões da célula da SPdH e do Sector dos Transportes da Organização Regional de Lisboa do PCP (ORL). No dia 16 de Fevereiro deste ano, foi delegado à 9.ª Assembleia da ORL. Mas a primeira tarefa partidária que cumpriu, lembra-se, foi a distribuição de propaganda alusiva à Festa do Avante!.

Desafiado a fazer um balanço da sua ainda curta militância, afirmou: «Tenho sentido mais força para ir a concentrações e a plenários. Sinto-me mais à vontade, mais seguro, mais forte, mais ciente do meu papel aqui na empresa. Ser membro do Partido favorece bastante a minha participação aqui.»

Do Avante! à célula e desta à luta

João Paulo Ramos, 43 anos, pasteleiro na Apapol (Oeiras)

Para a adesão de João Paulo Ramos ao Partido concorreram dois factores principais: as funções que desde há dois anos desempenha como delegado sindical do Sintab/CGTP-IN (que o fizeram ter mais consciência da forma como os trabalhadores são tratados pela administração da Apapol) e a presença assídua de militantes comunistas junto à empresa a vender o Avante!. Foi das conversas regulares travadas com estes que, há cerca de um ano, surgiu o desafio para se tornar militante, que aceitou sem dificuldade.

Daí à criação da célula naquela unidade da Apapol foi um ápice: «primeiro entrou um, depois outro, depois fomos falando com mais e agora somos sete. Eu próprio falei com alguns colegas para lhes dizer que era bom estarmos no PCP, que era o único partido que defende os trabalhadores», relata João Paulo Ramos, que já foi delegado à 9.ª Assembleia da Organização Regional de Lisboa do Partido, realizada em Fevereiro deste ano, e assumiu tarefas na última Festa do Avante!.

Há vários anos que os pasteleiros daquela unidade estão em luta pelo direito a gozarem da segunda folga semanal, prevista no Código do Trabalho mas negada pelo patrão: «Já fizemos manifestações e estamos em greve aos sábados há mais de um ano.» Enquanto militante comunista, João Paulo Ramos garante que sente, tal como os seus camaradas, «mais força para confrontar a empresa», que trata os trabalhadores de forma indigna.

O recrutamento que já ajudou a recrutar

Carlos Oliveira, 32 anos, operário na Sakthi (Maia)

Na fábrica da Maia da Sakthi Portugal já havia célula do PCP antes de Carlos Oliveira passar a integrá-la, faz este mês um ano. A sua entrada no Partido e na célula não foi um acto isolado, antes se integrou na acção dos 5000 contactos, que naquela fábrica resultou no reforço considerável da célula do PCP.

A célula, para funcionar, tem de superar as dificuldades inerentes ao trabalho por turnos, mas, valoriza Carlos Oliveira, «vamos reunindo, discutindo assuntos relacionados com a empresa e conversando com mais trabalhadores para que a célula se alargue». Os resultados têm sido positivos e o próprio Carlos ajudou a concretizar duas novas adesões ao PCP no seu local de trabalho.

Carlos Oliveira já era delegado sindical antes de aderir ao Partido e há cerca de dois anos que vinha mantendo contactos com militantes comunistas: «Fiquei receptivo, mas disse que ainda era cedo para avançar.» A participação na lista da CDU para a Assembleia Municipal da Maia, em 2017, e a constatação da importância decisiva do PCP nos avanços alcançados nos direitos dos trabalhadores convenceram-no: «a 28 de Março do ano passado decidi dar o passo.»

O muito que garante ter aprendido no último ano deu a Carlos Oliveira confiança para assumir maiores responsabilidades: é hoje dirigente do SITE Norte e integra o Secretariado da Interjovem, ao mesmo tempo que assume tarefas na Organização Regional do Porto do PCP.

«Já ia com as ideias no sítio»

Ana Cruz, 37 anos, empregada de Loja na Zara (Seixal)

Quando os responsáveis do Partido no concelho do Seixal foram conversar com Ana Cruz, em Novembro do ano passado, encontraram uma pessoa conhecedora do projecto e das propostas do PCP e profundamente envolvida na luta dos trabalhadores do sector do comércio.

Dirigente do CESP no distrito de Setúbal, Ana Cruz é responsável pela acção sindical no grupo Inditex, que possui marcas como Pull&Bear, Bershka, Massimo Duti, Oysho ou Zara (para a qual trabalha, na loja do Centro Comercial Rio Sul, no Seixal). Integra igualmente a Comissão para a Igualdade do sindicato naquela região.

O contacto diário com sindicalistas comunistas, que propuseram o seu nome à organização partidária para ser contactada, permitiram a Ana Cruz conhecer o Partido e identificar-se com a sua luta. Quando foi abordada, «já ia com as ideias no sítio», confessa, acrescentando: «as camaradas do sindicato tinham feito bem os trabalhos de casa.»

Militante há poucos meses, Ana Cruz não tem ainda muito para contar sobre o que é ser-se comunista. Integrada no Sector Sindical da Organização Regional de Setúbal, a sua actividade partidária está centrada fundamentalmente naquilo que já antes fazia: defender os trabalhadores e envolvê-los na luta pelos seus direitos. Fá-lo, agora, com uma perspectiva mais lata, a da transformação social.