Mobilização para reverter a linha circular em Lisboa
METROPOLITANO «A linha circular é uma má opção» que vai custar mais de 200 milhões de euros ao erário público, denunciou-se, anteontem, em Lisboa. O PCP reclama a expansão para Alcântara e Loures.
Mobilizar recursos nacionais para o investimento público
Promovida pela CDU, a audição, na lotada Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras, contou com a participação de João Ferreira e Bruno Dias, respectivamente, deputados do PCP no Parlamento Europeu e na Assembleia da República.
Para os comunistas, a linha circular «é uma má opção» que acrescenta pouco mais que duas estações (Santos e Estrela), prejudica directamente a população de Telheiras, Odivelas e zona Norte da cidade e impede que seja concretizada a expansão da rede para Alcântara e Loures.
Manuel Gouveia, responsável pelo sector dos transportes da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP, lembrou que o Metropolitano «precisa de outros investimentos» que vão além da «expansão da rede», nomeadamente a «manutenção da infra-estrutura e dos equipamentos», no «número de trabalhadores, para dar resposta à manutenção, operação e circulação» e para «repor os níveis de qualidade, fiabilidade e de frequência da oferta».
Bernardino Soares, presidente da Câmara Municipal de Loures, considerou «prejudicial» a decisão do Executivo PS para a «organização da cidade de Lisboa», mas também para quem vive em Odivelas, Loures, Vila Franca de Xira, Torres Vedras, Sobral de Monte Agraço e Mafra.
«Podemos fazer muitos discursos acerca da diminuição do dióxido de carbono e da diminuição do uso dos transportes privados», mas parece que a opção do Governo é ter «mais carros eléctricos» em vez de «uma melhor rede de transportes», para que «menos viessem em carro próprio» e «mais em transporte colectivo», defendeu o eleito nas listas da CDU.
Durante os trabalhos, intervieram outros eleitos autárquicos, de outras forças políticas, membros da Comissão de Trabalhadores do Metropolitano, dirigentes do Sindicatos dos Transportes e Comunicações, moradores, utentes e engenheiros reformados do Metro.
Propostas para mobilidade
Bruno Dias anunciou que o Partido vai apresentar, ainda esta semana, um projecto de resolução «por uma expansão» da rede do Metro «articulada com as necessidades de mobilidade da Área Metropolitana de Lisboa». O documento propõe que o Governo «reconsidere» a opção, imposta ao Metropolitano, de concretizar a linha circular entre o Cais do Sodré e o Campo Grande e «dê prioridade» à expansão da rede para Alcântara e Loures. «Este é um contributo que nós (comunistas) procuramos colocar no plano do debate político», afirmou.
No final, João Ferreira referiu que a «rejeição da linha circular» e a «necessária concretização de investimentos de expansão e de reforço da rede» não estão dissociadas «do que esperamos do futuro imediato do nosso próprio País», sendo de «enorme importância» as eleições para o Parlamento Europeu (PE) e para a AR.
Defendeu, por isso, a «necessidade de mobilizar recursos nacionais para o investimento público, também no domínio das infra-estruturas de transportes, sobretudo numa altura em que se perspectiva, para um futuro quadro financeiro da União Europeia, pós-2020, um corte significativo das verbas a atribuir a Portugal».