Séc. XV – Rodrigo Álvares, o «gutenberg» português
«De Vila real q. he iunto desta comarqua foi natural hum Rodrigo alueres q. depois uiueo no Porto, e foi o prº. q. aeste Reyno trouxe a Impressão em tempo q. ualia hum breuiario seis e sete mil rs. E este os Imprimio logo a duos cruzados». Esta é a primeira referência conhecida ao que é considerado o primeiro impressor português e consta do «Livro das antiguidades e cousas notaveis de entre Douro e Minho... composto no año de 1549», do historiador João de Barros. Figura esquecida e desconhecida, de Rodrigo Álvares pouco se sabe: terá nascido em Vila Real, não se sabe quando nem filho de quem, e vivido e exercido a sua actividade de impressor e editor no Porto, onde imprimiu duas únicas obras: «As Constituições sinoidais de D. Diogo de Sousa» e os «Evangelhos e epistolas», ambas em 1497. Da primeira, segundo o Museu da Imprensa, apenas se sabe da existência de dois exemplares, um na Biblioteca Pública Municipal do Porto (incompleto) e outro, completo, na Biblioteca do Paço Ducal de Vila Viçosa. Dos «Evangelhos e epístolas» é conhecido um único exemplar, completo, apresentado em 1920 por Jaime Cortesão. Esta obra terá sido traduzida pelo próprio Rodrigo Álvares a partir duma versão publicada em Salamanca em 1493. Antes do «gutenberg» português já havia obras impressas no País, mas feitas por estrangeiros.