Peritos da ONU pedem a libertação de Assange

WIKILEAKS Julian Assange, o fundador da WikiLeaks, encontra-se há seis anos refugiado na embaixada do Equador em Londres. Especialistas da ONU exigem a sua saída sem o perigo de extradição para os EUA.

Fundador da Wikileaks corre risco de extradição para os EUA

Especialistas da ONU em direitos humanos pediram na sexta-feira, 21, ao Reino Unido para cumprir as suas obrigações internacionais e permitir a saída do fundador da WikiLeaks, Julian Assange, da embaixada do Equador em Londres.

Relatores independentes das Nações Unidas consideram que o ex-analista da Agência Nacional de Segurança estado-unidense está privado de liberdade de forma arbitrária enquanto se mantiver asilado na embaixada equatoriana na capital britânica, e defendem que se lhe permita sair dali sem receio de ser preso e extraditado para os EUA.

«Assange deve poder exercer o seu direito à liberdade de movimentos sem barreiras, de acordo com as convenções de direitos humanos que o Reino Unido ratificou», afirmaram Seong-Phil Hong, presidente do grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária, e Michel Forst, relator especial sobre a situação dos defensores de direitos humanos, ligados às Nações Unidas.

A acusação contra Assange por alegados delitos sexuais na Suécia foi arquivada, mas a Grã-Bretanha acusa-o de não ter cumprido as regras da liberdade condicional. Para os peritos da ONU, esse é um delito menor que não pode justificar seis anos de clausura desde que pediu asilo político na embaixada do Equador em Londres, no mandato do presidente Rafael Correa.

Em 2018, o ciber-activista esteve privado de comunicações pela Internet, acusado pelo novo governo equatoriano do presidente Lenín Moreno de fazer declarações políticas. Foi então obrigado a assinar um documento com novas regras, incluindo a de que as suas visitas têm de ser autorizadas previamente.

Há poucos dias, o presidente da Bolívia, Evo Morales, expressou solidariedade ao fundador da WikiLeaks. Ele é «perseguido pela polícia britânica por ter revelado documentos secretos que provam a ingerência do império estado-unidense em todo o mundo», escreveu o dirigente sul-americano na sua conta da rede social Twitter.

Julian Assange solicitou asilo a Quito em 2012, quando as autoridades britânicas se dispunham a extraditá-lo para a Suécia. Na verdade, Assange denunciou há muito que a polícia britânica pretende capturá-lo para o extraditar em seguida para os Estados Unidos, onde pode ser acusado de «traição» e, inclusivamente, condenado à morte.

 



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