O PCP exigiu esclarecimentos ao PAN (Pessoas-Animais-Natureza) sobre alegadas ligações daquele partido a «actividades criminosas realizadas a pretexto da defesa de animais».
Está em causa a recente reportagem de um canal de televisão (TVI), emitida no passado dia 15 de Novembro, sobre a investigação que estará a decorrer por parte da Polícia Judiciária relativa ao IRA (Intervenção e Resgate de Animais), organização que protagoniza acções de boicote e de salvamento em prol dos direitos de animais em risco.
Na referida reportagem, alegadas vítimas das acções do IRA afirmam ter sido ameaçadas, agredidas e expostas nas redes sociais com apelos à violência. Na base destas agressões estariam maus tratos a animais, que nalguns casos eram falsos.
Nesta reportagem, num vídeo alegadamente produzido pelo grupo, várias pessoas surgem encapuzadas ou com máscaras, empunhando machados, bastões ou marretas, com um dos declarados «cabecilhas» a afirmar ao jornalista que o grupo age «paralelamente à lei» nas suas acções.
Questionada pela reportagem sobre as suas ligações ao grupo, a dirigente do PAN Cristina Rodrigues escudou-se no segredo profissional da advocacia admitindo ter trabalhado «pro bono» com esta organização.
Como refere o PCP em nota de imprensa divulgada na passada 6.ª feira, «sem precipitar juízos sobre esta situação concreta, o que deve ser assinalado é uma prática subjacente ao projecto político do PAN que, sob o manto de preocupações sobre a natureza e os animais, e assente num discurso de intolerância, promove uma orientação de incriminação, de estímulo à delação e de criminalização de hábitos sócio-culturais, em si mesmo caldo de cultura para a justificação de práticas criminosas».
Diz o povo que perguntar não ofende, sobretudo por haver fundadas razões para as explicações que o PCP exige. Até porque, como também reconhece a sabedoria popular, quem semeia ventos colhe tempestades.