Greve na IP demonstrou enorme descontentamento
REIVINDICAÇÃO As organizações dos trabalhadores da Infra-estruturas de Portugal marcaram uma concentração para dia 15 e uma «semana de agitação e luta», por aumentos salariais e contra discriminações.
Só com luta persistente os trabalhadores obtêm alguns avanços
Com um nível de adesão superior a 80 por cento, a greve de 31 de Outubro no Grupo IP (Infra-estruturas de Portugal, IP Telecom, IP Engenharia e IP Património) paralisou a actividade na gestão de infra-estruturas ferroviárias e rodoviárias, referiu a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações.
Num comunicado que divulgou ao início da tarde daquela quarta-feira, a Fectrans/CGTP-IN informou ainda que, nos distritos de Braga, Viana do Castelo, Vila Real, Bragança, Faro, Santarém, Portalegre e Leiria, a elevada adesão à greve levou ao encerramento dos serviços ao público das gestões regionais da rodovia, bem como à paragem dos serviços de manutenção.
Foi bastante elevada a adesão na gestão das infra-estruturas ferroviárias, provocando a supressão da maioria das composições, com perturbações no transporte de mercadorias e no transporte de passageiros da CP e da Fertagus.
Para a Fectrans – uma das 14 organizações que promoveram a greve – o Governo teve assim «a demonstração do enorme descontentamento dos trabalhadores relativamente às últimas propostas». Numa reunião realizada dia 30, os representantes da administração e do Governo apresentaram um acréscimo de 54 cêntimos no subsídio de refeição, uma subida de meio por cento no subsídio de escala (sem abranger todo o pessoal) e nenhum valor para actualização salarial.
Anteontem, dia 6, os 14 sindicatos e a Comissão de Trabalhadores da IP reuniram-se e reafirmaram a rejeição destas propostas. Ficou marcada para dia 15 uma concentração de representantes dos trabalhadores junto à presidência do Conselho de Ministros. Para os dias 19 a 25, vai ser organizada uma «semana de agitação e luta». Entre outras formas de luta, foi admitido voltar à greve no início de Dezembro, caso não haja evolução na negociação.
Nas conclusões da reunião, subscritas por todas as estruturas e divulgadas pela Fectrans, é dirigida uma saudação aos trabalhadores «pela determinação colocada na greve». Esta «constituiu mais um marco importante na mobilização e luta» por um acordo colectivo de trabalho (ACT) e um regulamento de carreiras (RC) aplicáveis a todos os trabalhadores e por uma valorização salarial e das carreiras profissionais.
Acordo no Metro
Foram anuladas na segunda-feira, dia 5, as greves no Metropolitano de Lisboa, convocadas para terça-feira e hoje, bem como a recusa de trabalho suplementar e em apoio a eventos especiais, porque os trabalhadores aprovaram, em plenário, o acordo alcançado no domingo entre representantes sindicais e da administração.
Ao dar esta informação, a Fectrans considerou que o acordo «responde à reivindicação de aumento dos salários, de prolongamento da vigência do Acordo de Empresa, de admissão de mais 30 trabalhadores» e mantém «um espaço de negociação da revisão da Regulamentação de Carreiras».
Na Soflusa, contudo, um possível acordo sobre as reivindicações dos trabalhadores da área comercial só poderá ser alcançado numa reunião de sindicatos e administração, amanhã. Uma nova proposta da empresa justificou a suspensão da greve no dia 31 de Outubro, mas a paralisação de segunda-feira, dia 5, concretizou-se com adesão quase total.
Para reduzir os efeitos da greve na Scotturb, nesta segunda-feira, a administração promoveu a substituição de trabalhadores que aderiram à luta, acusou um dirigente da Fectrans. Luís Venâncio disse à agência Lusa que a «habilidade» patronal foi reportada à Autoridade para as Condições do Trabalho.
Uma reunião com representantes patronais e sindicais foi convocada pela ACT para anteontem, o que foi considerado pela federação como um resultado da marcação da greve.