- Nº 2338 (2018/09/20)

PCP reclama política de transportes capaz de responder ao povo e ao País

PCP

DESENVOLVIMENTO O Partido pretende que sejam implementadas oito medidas cuja concretização permitiriam alterar para melhor os transportes e mobilidade. Nesse sentido, estas serão objecto de iniciativa política.

Em conferência de imprensa realizada na segunda-feira, 17, Vasco Cardoso defendeu os «ganhos ambientais, económicos, sociais e de ordenamento do território» de uma política que contemplasse a «crescente intermodalidade da bilhética, o reforço da fiabilidade e qualidade do serviço e de uma oferta adequada às necessidades».

Entre as medidas apresentadas pelo membro da Comissão Política do Comité Central, estão a redução do custo para os utentes com o alargamento do Passe Social Único e Intermodal, consagrando-o como título válido em todos os operadores; a aposta no aumento do número de utentes antes de mais pela redução dos preços e pelo aumento da oferta; desenvolver uma política pública de investimentos nas infraestruturas, equipamentos e material circulante; assentar o sector em fortes, dinâmicas e eficazes empresas públicas; integrar o serviço hoje prestado pela Fertagus na CP; parar com a destruição de postos de trabalho, a precarização das relações laborais e o crescente recurso aos prestadores de serviços, a par da dignificação das carreiras e aumentos salariais.

Revogar o Regime Jurídico do Serviço Público de Transportes de Passageiros e elaborar um Plano Nacional de Transportes são outros elementos «de uma nova e democrática política de transportes que integre de forma complementar e harmoniosa os diversos modos, assente no serviço público, com um papel estratégico e estruturante na economia nacional, no ordenamento do território e desenvolvimento harmonioso das regiões», a única, de resto, capaz de assegurar«a segurança de tripulações, passageiros e cargas » e responder «a imperativos de economia energética, menor custo social e preservação do ambiente», sublinhou ainda Vasco Cardoso, antes de apelar à luta dos trabalhadores e do povo para, desta forma, «travar o desvio de recursos públicos para o grande capital e garantir que esses recursos são investidos na satisfação das necessidades da população e no desenvolvimento do aparelho produtivo nacional».

Exige-se acção

Antes de dar a conhecer as oito medidas em que vai assentar a postura propositiva na qual o PCP assegura que vai insistir, Vasco Cardoso criticou a «ausência de uma política de Estado dirigida à garantia de transportes públicos de qualidade, regulares e a preços acessíveis», da qual decorre a actual situação. Críticas cerradas apontou, neste contexto, ao anterior governo PSD/CDS, notando que «as recentes preocupações exibidas por estes partidos a propósito da situação dos transportes, e em particular da CP, só pode ser vista com um indisfarçável exercício de hipocrisia política vinda precisamente daqueles que quase destruíram o sector».

Não deixou, porém, de responsabilizar o actual Governo, designadamente por não ter adoptado medidas «que invertessem a degradação», tendo pelo contrário prosseguido «a redução de trabalhadores operacionais nas empresas públicas», ter mantido «os preços absurdamente altos» e «o investimento congelado».

«O Governo tenta disfarçar as suas responsabilidades atrás de uma permanente barragem de propaganda», mas «tudo não tem passado de uma gestão de promessas e expectativas, enquanto mantém, no essencial, as opções da política de direita, permitindo a degradação dos transportes públicos e preparando as condições para eventuais novos processos privatizadores no sector», acusou.