Critérios

Anabela Fino

«En­ve­lhe­cidos e com or­de­nados altos. O re­trato dos pro­fes­sores por­tu­gueses» TSF On­line; «OCDE: Em Por­tugal os pro­fes­sores ga­nham mais do que ou­tros tra­ba­lha­dores com for­mação su­pe­rior» SAPO 24; «Edu­cação. Pro­fes­sores ga­nham mais 35% do que média dos tra­ba­lha­dores qua­li­fi­cados» PÚBLICO; «Pro­fes­sores em Por­tugal ga­nham mais do que ou­tros tra­ba­lha­dores li­cen­ci­ados» Jornal de No­tí­cias; «Pro­fes­sores: uma classe pro­fis­si­onal a en­ve­lhecer, com sa­lá­rios re­la­tivos altos» Ex­presso; «Pro­fes­sores ga­nham mais que a média dos tra­ba­lha­dores qua­li­fi­cados em Por­tugal» SIC No­tí­cias; «Pro­fes­sores por­tu­gueses são dos mais ve­lhos da OCDE e re­cebem mais do que ou­tros li­cen­ci­ados» Ob­ser­vador; «Pro­fes­sores por­tu­gueses ga­nham mais do que ou­tros fun­ci­o­ná­rios pú­blicos li­cen­ci­ados» TVI24; «Pro­fes­sores em Por­tugal ga­nham mais do que ou­tros tra­ba­lha­dores com for­mação su­pe­rior» RTP...

Sim, sim, a lista já vai longa para es­paço tão curto e é re­pe­ti­tiva, mas o que é que se há de fazer quando os media en­ve­redam por esta es­pécie de samba de uma nota só?

As ci­ta­ções que se re­produz são tí­tulos de no­tí­cias pu­bli­cadas an­te­ontem, 11, dia em que veio a pú­blico o re­la­tório «Edu­ca­tion At a Glance 2018», da OCDE.

O que chama a atenção é os «cri­té­rios edi­to­riais» terem di­tado ta­manha con­ver­gência no des­taque dado aos sa­lá­rios dos pro­fes­sores, apesar de o es­tudo abordar di­versos as­pectos da edu­cação e, o que não é des­pi­ci­endo, alertar para os cui­dados a ter a in­ter­pre­tação dos dados, já que as va­riá­veis em pre­sença ditam con­clu­sões dis­tintas.

Por exemplo, o facto de o re­la­tório re­velar que Por­tugal é o quarto país da OCDE com mais baixos ní­veis de es­co­la­ri­dade entre os jo­vens adultos, só ul­tra­pas­sado pelo Mé­xico, Tur­quia e Es­panha, e que quase um terço não ter­minou o Se­cun­dário, não me­receu honras de tí­tulo. O mesmo su­cedeu com a re­ve­lação de que um em cada sete jo­vens por­tu­gueses (mais de 15%) não es­tuda nem tra­balha. Trata-se pelos vistos de ir­re­le­vân­cias.

Já quanto ao tão ape­ti­toso tema dos sa­lá­rios, re­co­nhe­çamos que é menos cha­ma­tivo, di­gamos assim, ti­tular que a mesma OCDE, com­pa­rando os or­de­nados dos pro­fes­sores di­rec­ta­mente entre países me­dido em pa­ri­dades de poder de compra, con­clui que afinal os dos pro­fes­sores por­tu­gueses estão dentro da média, ainda que no topo da car­reira es­tejam entre os me­lhores. Por­me­nores.

É claro que nada disto tem a ver com a longa luta dos pro­fes­sores pela re­cu­pe­ração do tempo de ser­viço per­dido du­rante o tempo em que ti­veram a car­reira con­ge­lada e que o Go­verno não quer re­co­nhecer. Nem pre­tende fazer es­quecer, evi­den­te­mente, o facto de na úl­tima dé­cada os pro­fes­sores terem per­dido 10% do valor real dos seus sa­lá­rios, também se­gundo a OCDE. É tudo cri­te­riosa coin­ci­dência.

 



Mais artigos de: Opinião

Fascistas

O Presidente do Parlamento ucraniano, Andrei Parubi, declarou no canal de televisão ICTV que «o maior homem que praticou a democracia directa foi Adolf [Hitler], nos anos 30» (RT, 6.9.18). Milhões de ucranianos ouviram a declaração. Mas ‘o Ocidente’ censurou a notícia. Esconde que o golpe de Estado de 2014 em Kiev,...