África e China reforçam laços
A cimeira do Fórum sobre Cooperação China-África (FOCAC), nos dias 3 e 4 de Setembro, em Pequim, contribuirá para fortalecer as já boas relações políticas e económicas sino-africanas.
Apontando para esse objectivo, o lema da reunião é «China e África: rumo a uma comunidade ainda mais forte com um futuro partilhado através da cooperação mutuamente vantajosa».
Espera-se que, a par do presidente Xi Jinping e de outros altos dirigentes chineses, participem da cimeira numerosos líderes africanos, responsáveis da União Africana, o secretário-geral da ONU e representantes de entidades internacionais e regionais.
Os indicadores sobre a pujança dos actuais laços económicos entre a África e a China são impressionantes. Por exemplo, o volume de trocas comerciais entre as duas partes cresceu 17 vezes entre 2000 e 2017. Segundo estatísticas aduaneiras chinesas, o valor das trocas comerciais entre as duas zonas, no ano passado, ascendeu a 170 mil milhões de dólares. Até Abril de 2017, com financiamento da China, tinham sido construídos em países africanos mais de cinco mil quilómetros de auto-estradas e caminhos-de-ferro.
Multiplicam-se, nestes dias, as opiniões a propósito da terceira cimeira da FOCAC, organização criada em 2000.
O vice-ministro etíope das Finanças e Cooperação Económica, Admasu Nebebe, disse à Xinhua que «os países africanos precisam de transformar a sua agricultura, lançar-se num vigoroso desenvolvimento industrial, investir na infra-estrutura e disponibilizar recursos para a ciência e tecnologia, se quiserem desenvolver as suas economias com êxito, como a China».
Sun Baohong, embaixador de Pequim no Quénia, entende que a reunião marcará uma nova etapa nas relações sino-africanas porque permitirá orientar o desenvolvimento futuro, sustentado pela amizade entre as duas partes. «Ajudará igualmente a cooperação sino-africana a avançar de forma mais coordenada e equilibrada, promovendo assim a colaboração Sul-Sul», disse.
Outro diplomata, Ahcène Boukhelfa, embaixador da Argélia em Pequim, lembra que a amizade entre a China e os países africanos tem uma longa história e baseou-se sempre no respeito mútuo, nas vantagens recíprocas, na não-interferência nos assuntos internos e na cooperação com benefícios mútuos. Apelando a uma maior cooperação nos domínios da ciência, da tecnologia e da construção de infra-estruturas, Boukhelfa mostra-se convicto de que a China e a África «têm um futuro comum».
He Yafei, antigo ministro chinês dos negócios estrangeiros, é da opinião de que a cimeira confirmará «o êxito da cooperação com vantagens mútuas entre diferentes civilizações». E realça que «o aprofundamento da parceria entre a China e a África beneficiará as duas partes no plano económico e contribuirá para salvaguardar o sistema comercial internacional baseado em regras».
Um académico chinês, Wang Liming, considera que a China e os países africanos contribuíram, ao longo destes 18 anos, com a sua sageza e com soluções adequadas, para a construção de «uma ordem internacional mais razoável». E, tendo em conta os crescentes apelos à reforma do sistema de governança mundial para fazer face aos desafios comuns, espera que a cooperação amigável sino-africana abra novas perspectivas para resolver os problemas internacionais dos nossos dias.