Pobreza é herança das gerações futuras
Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre mobilidade social estima que só dentro de 125 anos os descendentes de uma família portuguesa de fracos recursos poderão alcançar o salário médio.
O estudo, divulgado dia 15, indica que em Portugal a condição económica transmite-se «fortemente» de geração em geração: 24 por cento dos filhos de pais com baixos rendimentos acabam também por ter baixos rendimentos.
Relativamente ao tipo de ocupação, 55 por cento das crianças de famílias de trabalhadores manuais vêm a ter a mesma ocupação dos pais, contra 37 por cento da média da OCDE. Já os filhos de gestores têm cinco vezes mais probabilidades de serem também gestores.
A mobilidade ao longo da vida é igualmente limitada no nosso País: 67 por cento dos que auferem rendimentos mais baixos não conseguem ascender a um nível superior de vida.
Para aumentar a mobilidade social, a OCDE propõe três medidas essenciais: apoiar as crianças de meios desfavorecidos, assegurando uma boa educação pré-escolar, combater o desemprego de longa duração e aumentar o nível de qualificações através da educação para adultos.