- Nº 2317 (2018/04/27)

Sem rasto de ataque químico OPAQ prossegue missão na Síria

Internacional

INVESTIGAÇÃO Os observadores da Organização para a Proibição de Armas Químicas em missão na Síria ainda não encontraram qualquer evidência do uso ou posse de agentes tóxicos por parte de Damasco.

Contrariamente às alegações dos Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, as quais de resto foram usadas por estes para justificar o bombardeamento da Síria no passado dia 14 de Abril, a equipa da OPAQ que se encontra no terreno não detectou, até ao momento, qualquer sinal do uso ou posse de armas químicas por parte do governo liderado por Bachar al-Assad.

A missão foi impedida, a semana passada, de entrar em Douma, onde supostamente ocorreu um ataque com agentes tóxicos no dia 7 de Abril. O contingente de segurança da ONU acabou alvejado a tiro, incidente que, aliás, repete o sucedido em 2013 quando uma equipa das Nações Unidas com igual propósito também esteve na mira dos grupos terroristas.

Contudo, criadas as condições de segurança, os observadores já visitaram dois dos locais pretensamente atingidos por agentes tóxicos no início de Abril, e, embora sem adiantar conclusões, o facto é que não terão detectado evidências da acusação feita pelas potências ocidentais.

Em Damasco, numa das estruturas bombardeadas por ordem dos governos de Washington, Paris e Londres, que atribuem à Síria a responsabilidade pelo uso de armas químicas no país, a OPAQ não terá, igualmente, encontrado rasto de armas químicas ou de componentes que as permitam elaborar, adiantou fonte das forças armadas da Federação Russa.

A Rússia, que ao longo destes dias recolheu testemunhos e provas que sustentam que os acontecimentos em Douma não passam de uma montagem para intoxicar a opinião pública e legitimar a intensificação da agressão imperialista contra a Síria, veio entretanto acrescentar elementos que parecem corroborar a tese de Moscovo, designadamente a descoberta de um laboratório no covil dos mercenários e de grandes quantidades de cloro alemão.

Em Berlim esta descoberta pode avolumar o incómodo face ao ataque norte-americano, gaulês e britânico, pois apesar de a chanceler Angela Merkel ter apoiado a iniciativa bélica, especialistas do parlamento alemão, instados a pronunciar-se oficialmente por deputados do partido Die Linke, concluíram que os bombardeamentos contra a Síria violaram o direito internacional na medida em que «o emprego da força militar contra um Estado para sancionar a sua violação de uma convenção internacional» está «proibida». Os juristas consideraram, ainda, que a defesa da legalidade do ataque por parte da Grã-Bretanha «não é convincente».