Adesão em massa por Abril dá força a Maio

As comemorações do 44.º aniversário da Revolução do 25 de Abril foram exaltantes manifestações populares, marcadas por uma fortíssima participação e pela reiterada afirmação de fidelidade aos seus ideais e valores.

Povo comemora Abril preparando Maio

Por todo o País, de recônditos lugares às grandes cidades, pelas mais variadas maneiras – concentrações, almoços, provas desportivas, desfiles, manifestações, espectáculos –, foram muitos, mesmo muitos mil, os que festejaram essa conquista da liberdade que esteve aprisionada por décadas de ditadura fascista.

Lisboa foi seguramente um dos pontos altos dessa poderosa e vibrante jornada, com a Avenida da Liberdade, do Marquês ao Rossio, a ser palco de uma grandiosa manifestação que se prolongou por mais de duas horas e meia. O mesmo no Porto, no percurso que partiu das antigas instalações da PIDE na cidade (onde se realizou uma homenagem aos resistentes) e desaguou na Avenida dos Aliados.

No caso da capital, indicadores vários prenunciavam essa forte adesão, bem antes da hora marcada: Metro a abarrotar em modo típico de hora de ponta em dia de semana; movimento intenso nas artérias adjacentes ao ponto de concentração. Ainda o corpo da manifestação não se formara, olhando avenida abaixo, era já um mar de gente o que a vista captava.

Essa percepção da excepcional dimensão daquele torrente humana e seu significado teve-a logo o Secretário-geral do PCP, mesmo antes de o desfile arrancar, quando a integrou junto ao cruzamento com a Alexandre Herculano.

«Esta manifestação, como outras iniciativas realizadas ontem, demonstram que a Revolução de Abril foi o acto e o processo mais moderno e avançado da nossa história contemporânea», afirmou Jerónimo de Sousa, que interpretou a «participação magnífica» do povo português como reflectindo isso mesmo, comemorações populares em que «é o povo que dá essa carta de alforria à Revolução de Abril».

Para o líder comunista, que estava acompanhado por vários membros dos organismos executivos do PCP, a «dimensão desta manifestação e de outras, 44 anos passados», confirma, pois, a «importância desse acto na vida e na história de Portugal e dos portugueses», é a certeza de que o «povo português continua a identificar-se com o 25 de Abril, com aquilo que foi o seu projecto, objectivo, transformação e realização».

Juventude presente

Foi, pois, esse sentir e essa vontade, celebrando Abril e a liberdade – não para cumprir uma formalidade ou rotina mas como assumida e consciente acção de quem não abdica de ser parte activa na construção do presente e do futuro – que esteve presente ao longo de todo o desfile.

Sempre em atmosfera que foi de luta mas também de festa, a encabeçá-lo, a bem conhecida chaimite do MFA em vagarosa marcha ao som de «Grândola, Vila Morena», a simbolizar os protagonistas da heróica gesta que resgatou Portugal da opressão fascista, capitães de Abril que o povo não esquece e a quem terá sempre uma palavra de gratidão.

«25 de Abril, sempre!», em letras garrafais a branco numa enorme faixa vermelha de passeio a passeio, abria o desfile, enquadrando a Comissão Promotora, convidados, representantes dos partidos, estruturas e associações.

«Abril é querer mais... outra vez», dizia logo a seguir o pano levado pelos Pioneiros de Portugal, com os seus balões, coloridos, e já se ouvia, a poucos metros, «somos muitos mil, para continuar Abril», entre bandeiras vermelhas.

Eram jovens comunistas, da JCP, entre os muitos milhares de outros jovens, trabalhadores e estudantes, que marcaram presença neste 25 de Abril, desfilando, ombro com ombro, com os seus companheiros e companheiras de jornada, operários, professores, agricultores, pequenos empresários, intelectuais, resistentes antifascistas, partidários da paz, sindicalistas, comunistas, ecologistas, reformados, utentes dos serviços públicos, activistas do movimento associativo e popular.

Força à luta

Homens e mulheres, irmanados por Abril, pelo apego à democracia e à liberdade e a todos os valores e direitos que lhes estão associados. E porque os defendem e valorizam – muitos que lhes foram roubados pelo anterior governo PSD/CDS e ainda não recuperados –, gritaram palavras de ordem e empunharam panos e cartazes clamando contra a «precariedade e os baixos salários» (Interjovem), exigindo o «aumento geral dos salários, a valorização das carreiras e 35 horas para todos» (trabalhadores da administração pública), «Escola Pública para todos» (professores).

Mas também se ouviram bolseiros a dizer que a «Ciência é necessária», artistas a exigir «Cultura acima de zero», trabalhadores do comércio em luta «por salários, estabilidade e melhores condições de trabalho», polícias e militares, «unidos», a reclamar que o «tempo de serviço tem de contar», reformados do MURPI a erguer a voz por «pensões dignas».

E não faltou quem viesse lembrar que a «prostituição é violência contra as mulheres» (MDM), repudiar a «discriminação», pela «igualdade de direitos» (APD), defender o «Direito à habitação», contra a «lei dos despejos» (Associação dos Inquilinos Lisbonenses).

Como presente esteve também a dimensão internacionalista, com expressão, por exemplo, na solidariedade com Cuba (Associação de Amizade Portugal-Cuba), na exigência de uma «Palestina livre e independente» e pelo «fim da ocupação» (Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz), na defesa da paz e do fim da agressão à Síria (CPPC), no apoio ao povo brasileiro, afirmando que «Eleições sem Lula é fraude» (Casa do Brasil, PT, Colectivo Andorinha).

 

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