Campanha de Lula enfrenta violência
A quarta caravana pelo Sul do Brasil do ex-presidente e candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à chefia da República Federal nas próximas eleições – que ontem se previa que terminasse em Curitiba, capital do estado do Paraná, e que o levou nos últimos dias a várias cidades e localidades dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul – não se deteve perante ataques e ameaças levadas a cabo por milicianos com a complacência das autoridades policiais, denuncia o PT. Anteontem, a presidente brasileira destituída na sequência de um golpe de Estado, Dilma Rousseff, advertiu, em conferência de imprensa, que os acontecimentos fazem temer «um banho de violência contra nós» até Outubro.
Por diversas vezes a comitiva de Lula da Silva foi bloqueada, sobre ela foram lançadas pedras e paus e diversos apoiantes acabaram feridos. As agressões foram atribuídas a grupos de extrema-direita que «saíram fortalecidos» após o golpe, considerou ainda.
«Somos gente de paz», afirmou, por seu lado, Lula da Silva, no domingo, 25, em Santa Catarina, onde aconteceu um dos mais violentos ataques. Já na terça-feira, 27, em Foz do Iguaçú (na fronteira com o Paraguai, região estratégica pelos seus recursos hídricos), o ex-presidente e recandidato à presidência do Brasil defendeu a reforma agrária, uma das propostas políticas da sua candidatura que ajuda a compreender a razão pela qual está sob fogo dos sectores mais reaccionários.
Na segunda-feira, 26, o tribunal regional federal que condenou Lula da Silva a 12 anos de prisão por alegados crimes de corrupção recusou os recursos apresentados pela defesa. No próximo dia 4 de Abril o Supremo Federal deverá apreciar novo recurso, após o que o ex-presidente poderá ou não ser encarcerado.