CRESCIMENTO Com a maior greve de sempre nas cantinas escolares concessionadas, arrancou dia 19, segunda-feira, uma quinzena de luta a exigir justa distribuição da riqueza criada na hotelaria e turismo.
«Na região Norte mais de 90 cantinas escolares estão encerradas, no Centro mais de 80» e o mesmo sucedeu em «vários institutos públicos e do sector empresarial do Estado», disse aos jornalistas um dirigente do Sindicato da Hotelaria do Norte e da Fesaht/CGTP-IN, durante uma concentração frente às instalações da associação patronal Ahresp, no Porto, a meio da manhã de segunda-feira.
Ainda sem informação global sobre a greve nacional na restauração colectiva (cantinas, refeitórios, áreas de serviço e bares concessionados), Francisco Figueiredo adiantou que esta «é maior do que a do dia 2 de Novembro, no Norte, e também a maior greve de sempre no que toca ao sector escolar».
Os trabalhadores, como se refere na moção aprovada e entregue à Ahresp, exigem aumentos salariais que reponham o poder de compra perdido nos últimos oito anos. De 2010 a 2016 os salários estiveram congelados e em 2017 as empresas fizeram uma actualização de apenas dois por cento, quando as perdas acumuladas representam nove por cento.
Reclamam ainda respeito pelos direitos e negociação do contrato colectivo de trabalho preservando todos os direitos nele consagrados.
Na moção refere-se que as empresas do sector «exigem ritmos de trabalho intensos e têm vindo a pôr em causa direitos importantes dos trabalhadores», que colocam sob ataque também na negociação para revisão do contrato colectivo de trabalho.
Uma concentração com contornos semelhantes teve lugar, sensivelmente à mesma hora, frente ao escritório da Ahresp em Coimbra, promovida pelo Sindicato da Hotelaria do Centro.
Quanto vale?
Ao anunciar a luta de dia 19 (que não abrangeu os serviços concessionados à SUCH), o sindicato apresentou cálculos que evidenciam os objectivos patronais na negociação do contrato:
– reduzir o valor do trabalho em dia feriado (de 200 para 100 por cento de acréscimo) representaria, para cada trabalhador, uma perda média de 27 euros por feriado e de 270 euros por ano;
– deixar de pagar subsídio nocturno, das 20 às 22 horas, significaria uma perda média de 36 euros por mês e 504 euros por ano, por trabalhador.
A Ahresp pretende ainda baixar o pagamento do trabalho suplementar e impor horários até 11 horas por dia.
No Porto, foi anunciado que, na próxima semana, trabalhadores do sector vão fazer, em dois autocarros, um percurso para levar a vários hotéis a exigência de melhores salários.
«O sector da hotelaria cresce sucessivamente desde 2013» mas «a contratação colectiva continua bloqueada, muitos milhares de trabalhadores não têm aumentos salariais há muitos anos e o trabalho precário aumentou», protestou o Sindicato da Hotelaria do Sul, numa nota de imprensa que distribuiu dia 19, exigindo «a justa redistribuição dos proveitos ». «Só a luta de forma organizada obrigou muitas empresas a darem aumentos salariais durante estes anos todos», realçou o sindicato.
No âmbito da quinzena nacional de luta da hotelaria, turismo, alimentação, bebidas e tabacos, este sindicato organizou concentrações junto a três hotéis de Lisboa (Corinthia, Marriott e Roma) e greve no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (a 5 de Abril, abarcando também a ServiHospital).
A 29 de Março e 2 de Abril, estão em greve, a nível nacional, os trabalhadores dos bares dos comboios concessionados à Servirail.
No sector, 28 de Março é dia de participar na manifestação nacional da juventude trabalhadora, em Lisboa, para o que foi emitido pré-aviso de greve.
A quinzena, como adiantaram os sindicatos, deverá terminar no dia 4 de Abril, com uma acção de âmbito nacional, em Lisboa, dirigida ao patronato e também ao Governo.