Século XV – Criação do Real de Água
Segundo o Vocabulário do padre Rafael Bluteau, religioso da Ordem dos Clérigos Regulares reconhecido como grande lexicógrafo da língua portuguesa e autor do monumental Vocabulário Português e Latino (1712–1721), o real de água foi o nome dado ao tributo no vinho criado por D. Manuel I, em 1498, a pedido dos povos de Elvas, para a construção do aqueduto com que abasteceram de água aquela cidade. Já Freire de Oliveira, nos seus Elementos para a história do município de Lisboa, refere que foi no reinado do mestre de Avis (1385– 1433) que a Câmara, em conselho com os homens bons da cidade, por consentimento dos munícipes, e com autorização do monarca, impôs o tributo no vinho para a construção de casas e para suprimir outros impostos vexatórios, como a anadúva (serviço a que os vassalos estavam obrigados no reparo das cavas e muralhas dos castelos). Com o passar do tempo, o real da água acabou por ser aplicado em todo o país em favor do Estado para os mais diversos fins. Para a construção do aqueduto das Águas Livres, D. João V decretou um novo imposto especial que se confundiu com o real de água, e que passou a tributar também o azeite, carne, sal e palha. O imposto foi abolido com a implantação da República.