Falta de recursos impede acesso à saúde
Por falta de dinheiro, muitos portugueses vêem-se obrigados a prescindir de medicamentos essenciais ou de consultas médicas, revela uma estudo da Escola de Gestão de Informação da Universidade Nova de Lisboa, divulgado, anteontem, dia 6.
Segundo os dados do inquérito, relativos a 2017, 10,8 por cento dos portugueses optaram por não comprar algum medicamento prescrito por um médico devido ao custo dos fármacos.
Este indicador atingiu 15,7 por cento em 2014, baixou para 14,2 por cento em 2015 e para 11,8 em 2016.
Os custos de transporte são outro factor impeditivo do acesso aos cuidados de saúde. O estudo apurou que mais de meio milhão de consultas de especialidade nos hospitais ficaram por realizar devido aos custos de deslocação.
Já as taxas moderadoras levaram os utentes a abdicar de 250 mil consultas, enquanto outras 250 mil não se realizaram devido aos dois factores conjugados. No total cerca de um milhão de consultas não se efectuaram por motivos económicos.
O estudo faz ainda uma avaliação do impacto económico do Serviço Nacional de Saúde, concluindo que «o SNS terá contribuído para uma redução do absentismo em média de 1,9 dias por indivíduo e que terá tido um impacto na produtividade que será o equivalente a 7,3 dias de trabalho não perdidos», permitindo «uma poupança de 3,3 mil milhões de euros, o que se traduziu num retorno económico de cinco mil milhões de euros».