O espírito olímpico em PyeongChang

António Filipe

Aliviar a situação de tensão que se tem vivido na Península da Coreia

LUSA

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A Assembleia da República aprovou por unanimidade na passada semana um voto de congratulação proposto pelo PCP pela participação conjunta da República Popular e Democrática da Coreia (vulgo Coreia do Norte) e a República da Coreia (vulgo Coreia do Sul) nos Jogos Olímpicos de Inverno a decorrer nesta última. Nesta ocasião, as respectivas delegações desfilaram juntas, sob uma única bandeira, e constituíram uma equipa para a participação conjunta numa das competições. Para além disso, realizaram-se encontros bilaterais de alto nível, que incluíram o convite ao Presidente da República da Coreia para visitar a RPD da Coreia.

Não deixa de ser significativo que estes factos tenham ocorrido durante uma celebração olímpica, fazendo jus ao espírito que, segundo a Carta Olímpica aprovada pelo Comité Olímpico Internacional deve nortear estas competições.  

Segundo este documento, «o objetivo do Olimpismo é o de colocar o desporto ao serviço do desenvolvimento harmonioso do Homem em vista de promover uma sociedade pacífica preocupada com a preservação da dignidade humana».

O desporto, enquanto fenómeno global da Humanidade, vai muito para além da prática desportiva e dos sistemas desportivos que o integram. Daí que os Jogos Olímpicos tenham uma importância que vai muito para além do que ocorre nos recintos em que as competições se desenvolvem.

Não faltam por isso na História dos Jogos Olímpicos da era moderna exemplos de negação do espírito Olímpico por via da sua contaminação e instrumentalização por objectivos políticos contrários à valorização da paz e da dignidade humana que o enformam.

Via do diálogo

A importância do que se passa em PyeongChang deve por isso ser sublinhada. Como se afirma no voto aprovado na Assembleia da República, este acontecimento traduz os esforços das autoridades da República da Coreia e da República Popular Democrática da Coreia num processo de diálogo directo, tendente a aliviar a situação de tensão que se tem vivido na Península da Coreia e a contribuir para uma aproximação, que possa no futuro conduzir à reunificação pacífica da Pátria coreana, uma profunda aspiração do povo coreano.

E este acontecimento é tanto mais importante porquanto contraria os esforços da Administração norte-americana e dos seus aliados japoneses para aumentar a tensão na península coreana, intensificar as manobras militares na região e subir o tom das ameaças contra a RPDC.

O processo de diálogo directo entre ambas as partes em que a Coreia foi dividida após a guerra imperialista que dilacerou o país contraria frontalmente os desígnios imperiais dos EUA, que, como já é nítido, tudo farão para o torpedear, mas revela a consciência dos povos da Coreia de que só pela via do diálogo conseguirão avançar no sentido da reunificação pacífica da sua Pátria.

E é uma inegável vitória do espírito Olímpico.




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