Poeta chileno Nicanor Parra morre aos 103 anos
O poeta chileno Nicanor Parra, criador da «anti-poesia», morreu a 23 de Janeiro. Era o derradeiro sobrevivente do «trio de grandes poetas chilenos», que formava com Pablo Neruda e Vicente Huidobro, como disse a agência de notícias Efe. Para situar a sua obra, nada melhor do que as suas próprias palavras: «Passou demasiado sangue sob as pontes para se continuar a crer que possa seguir-se um só caminho. Em poesia tudo é permitido». Com Neruda escreveu «Discursos» (1960), livro de ensaios que marcou a literatura espanhola da época.
Nascido a 5 de Setembro de 1914, Nicanor Parra – o mais velho de nove irmãos, entre os quais a pioneira da «nova canção chilena» Violeta Parra – licenciou-se em Física e Ciências Exatas pela Universidade do Chile, e especializou-se em Mecânica na Universidade de Brown, nos Estados Unidos e em Oxford. Foi catedrático de Mecânica Teórica durante 51 anos, na Universidade de Santiago do Chile, até 1996, onde fundou o Instituto de Estudos Humanísticos, com o poeta Enrique Lihn.
Recebeu o Prémio Nacional de Literatura do Chile (1969), o Prémio de Literatura Latino-americana Juan Rulfo (1997), o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana (2001) e o Prémio Cervantes (2011).
Combatente pela democracia, passou períodos de exílio nos EUA, pertenceu à Frente de Intelectuais que se opôs ao ditador Augusto Pinochet e no referendo de 1988 apoiou a campanha pelo «Não» que levou ao seu afastamento do poder.