PCP evoca José Vitoriano na sua Silves natal

HOMENAGEM A biblioteca municipal de Silves, terra natal de José Vitoriano, encheu-se no sábado, 20, para evocar o centenário do seu nascimento. A exposição então inaugurada fica ali patente até sábado, 27.

O PCP esforça-se por divulgar exemplos como o de José Vitoriano

José Vitoriano terá a partir do 1.º de Maio deste ano um busto numa praça da cidade que o viu nascer e na qual iniciou a sua empenhada vida de revolucionário. A garantia foi dada por uma vereadora da Câmara Municipal na sessão promovida pelo PCP no passado sábado. O município, de maioria CDU, homenageia assim um dos mais notáveis silvenses, homem que desde muito jovem deu mostras de uma imensa generosidade e entrega à defesa dos seus companheiros de trabalho face à exploração patronal e violência fascista.

Na ocasião, outros participantes partilharam testemunhos vibrantes da acção ímpar de José Vitoriano em prol dos operários das fábricas de cortiça e da população trabalhadora de Silves, desde os anos de jovem corticeiro aos de dirigente do Partido, passando pela empenhada acção sindical e a longa prisão. A luta pela democracia e o socialismo a que José Vitoriano dedicou toda a sua vida e o melhor das suas imensas capacidades e inesgotável energia permanece viva na memória colectiva daquele concelho algarvio. Entre os presentes encontravam-se o filho e o neto do homenageado.

Em nome do PCP falou Manuela Bernardino, da Comissão Central de Controlo, que destacou alguns dos principais aspectos da biografia pessoal, sindical e política de José Vitoriano. A dirigente comunista começou por considerá-lo parte «daquele núcleo de militantes, homens e mulheres, que em condições muito adversas e à custa de grandes sacrifícios – clandestinidade, prisões, torturas – teceram os elos para organizar lutas por melhores condições de vida, pela liberdade e a democracia, o que permitiu, pela estreita ligação à realidade concreta e às massas, a construção do PCP como um grande partido nacional».

Luta pela «memória»

Na sessão pública que reuniu mais de 100 pessoas na Biblioteca Municipal de Silves, Manuela Bernardino recordou as origens humildes de José Vitoriano e o acontecimento marcante que antecedeu em poucos dias o seu nascimento, a Revolução de Outubro. Umas e outro seriam fundamentais para a aquisição da consciência de classe do então jovem operário corticeiro.

Apesar de as condições de vida da família o terem impedido de ir à escola, José Vitoriano revelou desde cedo uma profunda «ânsia de saber», que não mais o abandonaria, valorizou a dirigente do PCP, lembrando o seu empenhamento na criação da biblioteca popular de Silves e no movimento associativo local. A sindicalização e a assumpção de responsabilidades no Sindicato dos Corticeiros (do qual seria presidente em 1945), as primeiras lutas e a adesão ao Partido foram igualmente realçadas.

Manuela Bernardino lembrou também as prisões e a luta contra a repressão, as tarefas que assumiu na direcção do Partido e as funções institucionais desempenhadas, particularmente enquanto vice-presidente da Assembleia da República. Quanto à sua vida pessoal e familiar, foi marcada pela opção que fez como revolucionário profissional: «casado com a Diamantina, também ela filha de Silves e sua companheira de sempre, durante quase seis décadas», o período de vida em comum foi «bastante reduzido». Ao celebrarem 20 anos de casados, tinham apenas dois de vida em comum. Como muitos outros funcionários clandestinos do Partido, José Vitoriano também não acompanhou o crescimento do filho. Contudo, «os postais que lhe enviava de Peniche (na exposição encontram-se dois ou três) revelam como se preocupava com a sua formação», realçou.

Após relevar a importância de exemplos como o de José Vitoriano para as actuais e futuras gerações de revolucionários, Manuela Bernardino garantiu o empenho do PCP em os transmitir «através da luta política e ideológica pela “memória”».

 



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