IR MAIS LONGE NA RESPOSTA AOS PROBLEMAS DO PAÍS
«A luta dos trabalhadores e do povo continua a ser, como sempre foi, o elemento decisivo»
O Comité Central do PCP, reunido a 20 e 21 de Janeiro, procedeu à análise da evolução da situação política, económica e social nacional e de aspectos da situação internacional, apontou o desenvolvimento da luta de massas e definiu as grandes linhas de intervenção, de iniciativa política e de reforço do Partido.
A evolução da situação política nacional continua a ser marcada pela contradição de fundo entre os elementos positivos que, pela luta dos trabalhadores e do povo e a intervenção do PCP, foram conseguidos na defesa, reposição e conquista de direitos e os problemas estruturais causados pela política de direita e pelos constrangimentos externos que por opção do Governo do PS continuam a amarrar o País e a impedir o seu desenvolvimento soberano.
É uma contradição de fundo que as forças do grande capital e dos sectores políticos a elas associadas no PSD, CDS e também no interior do PS tudo fazem para resolver a seu favor, com a criação e promoção de soluções populistas, tentativas de afastar, silenciar ou apagar o papel do PCP, retomar formal ou informalmente o chamado bloco central, intensificar a exploração e liquidar direitos.
Trata-se de uma contradição que, como sublinhou o Comité Central do PCP, só se resolve avançando na defesa, reposição e conquista de direitos, rompendo com política de direita e abrindo caminho à concretização de uma política patriótica e de esquerda.
De facto, a política de direita agravou dependências, destruiu capacidade produtiva, fragilizou o País em múltiplas dimensões. O domínio monopolista dos sectores estratégicos da economia – de que a PT e os CTT são a face visível – conduziram a uma crescente degradação dos serviços públicos prestados, que revela a incompatibilidade entre os interesses nacionais e os interesses dos grupos económicos. Os défices estruturais, a submissão ao euro, são alguns dos traços deste quadro de dependência, endividamento e retrocesso social.
O PCP continua a insistir que é preciso ir mais longe na resposta aos problemas dos trabalhadores, do povo e do País, nomeadamente, aumentando os salários e o Salário Mínimo Nacional, eliminando as normas gravosas do Código de Trabalho, defendendo e valorizando os serviços públicos, desenvolvendo a luta dos trabalhadores e das populações como está neste momento a acontecer na Autoeuropa, PT, CTT, Triumph e sectores da Administração Pública, entre muitas outras empresas e sectores.
Em simultâneo, bate-se pela ruptura com a política de direita, para impedir que ela prossiga, seja pela acção do PSD e do CDS, seja pela acção do PS (sozinho ou não), e por uma política alternativa patriótica e de esquerda.
Uma política patriótica que faça prevalecer os interesses nacionais, perante as imposições externas, que diversifique as relações económicas num quadro de cooperação com outros povos e nações, que assuma a produção nacional como um desígnio, fonte de riqueza, de emprego e de bem estar, que promova a paz e recupere parcelas de soberania perdidas, devolvendo ao povo português o direito de decidir sobre o seu futuro.
Uma política de esquerda que coloque a valorização do trabalho e dos trabalhadores, dos seus salários e direitos como condição e objectivo do desenvolvimento económico; que assegure o controlo público dos sectores estratégicos da economia; promova uma justa distribuição da riqueza e mais justiça fiscal; combata as desigualdades na sociedade e no território; assegure serviços públicos de qualidade e para todos, reforce as prestações e direitos sociais; apoie as micro, pequenas e médias empresas e estimule um desenvolvimento económico não dominado pelos monopólios; assuma a defesa do regime democrático e o cumprimento da Constituição.
É com o reforço do PCP e a elevação da sua influência social, política e eleitoral, com a intensificação da luta dos trabalhadores e do povo e a convergência dos democratas e patriotas, que se criará as condições para ir mais longe na resposta aos problemas do País, romper com a política de direita, dar corpo à alternativa e assegurar um governo capaz de a realizar. É esse o caminho que o PCP continuará a trilhar com determinação e inabalável confiança no futuro.