Patriotismo e internacionalismo são inseparáveis. Um partido comunista que substime o enquadramento internacional da sua luta e esqueça os seus deveres de solidariedade para com outros povos, cai no nacionalismo estreito e condena-se ao isolamento e à derrota. Um partido comunista que não considere que o seu primeiro dever internacionalista é a luta no seu próprio país, perde a ligação com as massas e cai na agitação verbalista inconsequente.
Em Portugal vivemos uma situação política que tem muito de original, em contra-corrente com o que se passa por essa Europa fora. A derrota e afastamento do governo da coligação PSD/CDS teve resultados que, estando aquém do possível e necessário, é justo valorizar. Porém, sem a ruptura com décadas de política de direita e com os constrangimentos externos, não será possível assegurar o desenvolvimento económico, o progresso social e a soberania do País. A política patriótica e de esquerda que o PCP preconiza é indispensável para um Portugal com futuro.
Claro que não é indiferente o contexto europeu e mundial em que se desenvolve a nossa luta. Em 1974 a correlação de forças no plano internacional, o processo de desanuviamento na Europa impulsionado pela União Soviética e a aliança com a luta dos povos africanos contra o colonialismo português, favoreceram a Revolução de Abril. Hoje, pelo contrário, vivemos as consequências do desaparecimento da URSS e do campo socialista e os tempos são de resistência e acumulação de forças. Mas atenção. O atentismo e a desistência alimentados pela classe dominante para neutralizar e destruir as forças revolucionárias só colherá frutos entre aqueles que desconhecerem as lições do passado – o caminho da revolução é feito de avanços e recuos, de vitórias e derrotas, mas segue sempre uma linha ascendente – e perderem a perspectiva do socialismo. Ao comemorar o Centenário da Revolução de Outubro sob o lema «Socialismo, exigência da actualidade e do futuro», o PCP combate as falsificações anti-comunistas da História e reafirma com convicção o seu ideal e projecto comunistas. E não o faz por voluntarismo, mas com base na análise das contradições e limites históricos do capitalismo e da exigência da sua superação revolucionária. E sublinhando que, apesar de todas as aparências pessimistas, os grandes perigos da ofensiva do imperialismo coexistem com reais potencialidades de desenvolvimentos progressistas e revolucionários.
Defender a soberania nacional enfrentando as ingerências do imperialismo, trate-se da União Europeia, da NATO, do FMI ou quaisquer outras instâncias supranacionais, é um dever fundamental. A ideia alimentada pela comunicação social dominante e pelo discurso governamental de que Portugal está condenado à impotência perante a dinâmica da globalização imperialista tem de ser combatida com firmeza. Sendo esta uma tarefa patriótica indeclinável ela é simultaneamente a melhor contribuição à luta anti-imperialista e à causa universal de libertação dos trabalhadores e dos povos. E a melhor forma de celebrar o significado internacional e o valor internacionalista da Revolução de Outubro.