O quadro de problemas que persiste no SNS em resultado da política de sucessivos governos de ataque ao Serviço Nacional de Saúde e aos direitos dos seus profissionais não escapou neste debate à análise dos deputados comunistas.
«Os profissionais de saúde estão desmotivados e exaustos, muitos deles após uma jornada de trabalho ainda fazem mais um turno porque não foram rendidos», lamentou a deputada comunista Paula Santos, diagnosticando uma realidade que em sua opinião é marcada por «um passo positivo embora tímido» - a reposição de salários e direitos e a contratação de profissionais de saúde - que coexiste simultaneamente com a necessidade óbvia de medidas que «permitam ir mais longe», em razão da «profundidade e dimensão» das consequências nefastas que subsistiram das opções políticas do anterior governo PSD/CDS-PP.
«É preciso contratar os profissionais de saúde em falta», reclamou Paula Santos, que erigiu igualmente como prioritário em defesa do SNS e da valorização dos seus trabalhadores a adopção de outras medidas como o combate à precariedade, a valorização das carreiras, o descongelamento das progressões e a aplicação das 35 horas semanais de trabalho a todos os que desempenham funções públicas. A parlamentar comunista sublinhou ainda a importância de «assegurar o acesso à formação médica especializada a todos os jovens médicos».
Não se esgota porém nestas medidas o quadro de necessidades que está colocado à resolução dos problemas e à melhoria da acessibilidade dos utentes ao SNS.
Identificadas pela deputada comunista Carla Cruz foram questões de outra natureza, com repercussão directa sobre a vida das pessoas, como sejam as listas de espera excedendo «tempos máximos» para consultas de especialidade e para exames complementares de diagnóstico, os «tempos demasiado longos no atendimento nos serviços de urgência», ou a inexistência de médicos de família para mais de 850 mil utentes.
«Apesar de terem sido dados passos positivos como a redução das taxas moderadoras, as alterações no transporte não urgente de doentes e a redução do número de utentes sem médico de família, é preciso e é possível ir mais longe», afirmou-se convicta Carla Cruz, apontando baterias nomeadamente ao fim do «injusto pagamento de taxas moderadoras», para a reposição da gratuitidade do transporte de doentes não urgentes, a todos os que dele necessitem, para a redução dos tempos médios de espera para consultas de especialidade, cirurgias e tratamentos.