1872 – G. Smith decifra narrativa do dilúvio babilónico

Arqueólogo e assiriólogo nascido em Chelsea, Londres, George Smith especializou-se no Museu Britânico no estudo de placas de inscrições cuneiformes da Ásia Ocidental. O seu primeiro sucesso foi a descoberta de duas inscrições, uma sobre a data de um eclipse total do sol (763 a. C.) e outra sobre a data de uma invasão de Babilónia pelos Elamites (2280 a.C). Mas foi em 1872 que alcançou a fama mundial ao apresentar ao mundo científico inglês uma colecção de placas de barro cozido provenientes da biblioteca de Assurbanipal em Nínive, Iraque, com o texto cuneiforme da Epopeia Mesopotâmica de Gilgamesh, versão do século VII a.C, que tem um surpreendente paralelismo com o relato bíblico do dilúvio. O anúncio do conteúdo do texto decifrado, feito num encontro da Sociedade de Arqueologia Bíblica, causou um «forte impacto na Europa (...) por apresentar um texto pagão aparentemente antecipando a Arca de Noé» (in “Mitos Cosmogónicos: Suméria e Babilónia”). Posteriormente foram descobertos outros mitos babilónicos, especialmente do último milénio antes de Cristo, semelhantes aos episódios bíblicos, o que abalou as comunidades científica e religiosa do século XIX e contribuiu para o questionamento da veracidade dos textos bíblicos.