- Nº 2269 (2017/05/25)

Credores impõem mais austeridade ao povo grego

Europa

GRÉCIA Sete anos após o primeiro resgate, o parlamento grego aprovou mais um pacote antipopular que é visto como o quarto memorando desde 2010.

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O novo pacote de cortes e aumento de impostos foi aprovado na noite de dia 18, com os votos do Siryza e dos Gregos Independentes, seus aliados no governo, com escassa maioria de 153 votos.

As restantes forças políticas votaram contra, com excepção dos deputados do partido neonazi Aurora Dourada que foram excluídos da sessão por ofensas no hemiciclo, somando 128 votos.

Na véspera, dia de greve geral e de manifestações em todo o país, o Eurostat confirmou que a economia grega entrou em recessão, após dois trimestres consecutivos de crescimento negativo. Após a queda de 1,2 por cento no último trimestre de 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) voltou a cair 0,1 por cento no primeiro trimestre do ano (-0,5 % na variação homóloga).

Como assinalou a agência EFE, as diferentes estatísticas mostram números «dignos de uma guerra»: o desemprego roça os 25 por cento, 45 por cento da população vive com rendimentos abaixo do limiar da pobreza, a dívida pública galgou para os 200 por cento do PIB e o país perdeu 25 por cento da riqueza gerada anualmente desde o início da década.

Tais são os resultados das políticas de empobrecimento aplicadas neste período, que agora o governo de Alexis Tsipras se compromete a prosseguir após o termo do terceiro resgate, isto é, entre 2019 e 2021.

Não é pois em vão que os sindicatos gregos consideram que se trata de um quarto resgate, com a particularidade de não ter qualquer nova contrapartida financeira.

As medidas aprovadas estão avaliadas em 4,9 mil milhões de euros, entre cortes na despesa e aumento de impostos. Esta foi a condição exigida pelos credores (União Europeia e Fundo Monetário Internacional) para desbloquearem a última fatia do empréstimo negociado no Verão de 2015.

No entanto, o montante em causa (sete mil milhões de euros) já tem destino e não chegará praticamente a entrar no país. Quatro mil milhões destinam-se a reembolsar a dívida vencida ao BCE já a 20 de Julho e mais dois mil milhões servirão para pagar a investidores privados.