Um bando de vigaristas internacionais assinou com um bando de vigaristas nacionais (e alguns incompetentes à mistura) um conjunto de contratos swaps, ou seja, de apostas especulativas sobre o valor futuro da taxa de juro. Jogaram com o nosso dinheiro, aproveitando-se do facto de estarem a administrar empresas públicas ou em funções governativas de tutela sobre estas. Perderam. Perdemos! Perdemos milhares de milhões de euros.
Quando, depois de anos de alertas das ORT e do Partido, finalmente rebentou o escândalo, na vigência do anterior governo, este optou por nos fazer pagar as perdas acumuladas que cresciam vertiginosamente. E uma parte daquilo que nos roubaram foi para pagar estas swaps.
O anterior governo não pagou apenas nove swaps, com o Santader, que colocou em Tribunal. Mas os vigaristas tinham incluído no esquema que era um seu Tribunal que aplicaria a sua Justiça. E o caso foi para julgamento na City. Onde perdemos a causa e mais cento e muitos milhões que foram para pagar as custas e os gabinetes de advogados especialistas nestas vigarices.
Com a manobra que nós pagámos, o anterior governo conseguiu passar para o actual as nove swaps do Santader. E este vai e negoceia com os vigaristas. E conseguiu um desconto: «Vamos pagar só 66% e eles ainda nos emprestam dinheiro para lhes pagarmos! E mantemos a credibilidade do Estado português».
Maravilhoso! Por mil milhões de euros vamos comprar nada para manter a credibilidade perante quem tal nos vendeu. Antigamente, os vigaristas vendiam a Torre Eiffel e terrenos na Lua, eram perseguidos e os «patos» que caiam no conto do vigário eram gozados mas protegidos pela Justiça.
Agora que o conto do vigário passou a coisa respeitável, é preciso alertar que os verdadeiros «patos» não são os que caem ou fingem cair nas vigarices, nem os que levam o nosso dinheiro aos vigaristas (com ou sem descontos). Os verdadeiros «patos» são aqueles que tudo pagam e tudo permitem.