CPPC O Concerto pela Paz, que levou centenas de pessoas ao Fórum Lisboa no sábado, 22, revelou uma vontade crescentemente partilhada de, em tempos incertos, unir vontades em defesa da paz.
Neste que foi o terceiro concerto que o CPPC promoveu este ano, depois do Porto e de Vila Nova de Gaia – e antes dos dois que estão marcados para 19 de Maio, em Coimbra e Viana do Castelo –, Tim, dos Xutos & Pontapés, foi o nome mais sonante de um espectáculo onde também actuaram, e deslumbraram, Rita & O Revólver, a Academia Ai! A Dança, o Grupo de Cantares Tradicionais do Clube TAP Portugal e a Banda Filarmónica da Sociedade Filarmónica União Capricho Olivalense (SFUCO), sob a direcção do maestro Luís Filipe Henriques Ferreira.
Se foram variados os estilos musicais que passaram pelo palco, o que muito enriqueceu o Concerto, foi comum a generosidade demonstrada pelos artistas, que participaram na iniciativa pela simples razão de apoiarem as causas e valores que lhe estavam subjacentes: a defesa da paz e do desarmamento, o repúdio pelas guerras de agressão, o respeito pela soberania dos estados e a solidariedade aos povos que se batem pelo progresso social e a emancipação nacional. «Obrigado pelo convite» foi, aliás, uma das expressões mais vezes utilizadas pelos músicos e artistas que actuaram no Concerto pela Paz.
Mas a tarde fez-se também de poesia, na voz de Luísa Ortigoso, que surgiu várias vezes no palco, entre as actuações musicais. Para além de palavras de mobilização e incentivo para a necessária acção e intervenção em favor da paz e da solidariedade, a consagrada actriz declamou poemas de Manuel da Fonseca, Natália Correia e José Afonso, neste último caso Utopia, cantada a capella: Cidade/ Sem muros nem ameias/ Gente igual por dentro/ Gente igual por fora/ Onde a folha da palma/ afaga a cantaria/ Cidade do homem/ Não do lobo, mas irmão/ Capital da alegria.»
Pelo palco do Concerto pela Paz passaram ainda, para breves intervenções, os representantes das duas entidades que apoiaram a iniciativa – a Câmara Municipal de Lisboa, através do vereador João Afonso, e a Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa, representada por Pedro Franco – e Ilda Figueiredo. A presidente da Direcção Nacional do CPPC apontou os principais perigos para a paz na actualidade e apelou à acção determinada em defesa dos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e nos três primeiros pontos do artigo 7.º da Constituição da República Portuguesa.
CPPC lança livro
Antes do Concerto, e após uma reunião da sua Presidência, o CPPC apresentou o livro «Décadas de Luta pela Paz», que destaca os principais eixos da acção do movimento da paz português desde o seu surgimento, no final da década de 40 do século XX até aos nossos dias. Dividido em quatro capítulos – Percurso, Causas e Princípio; Solidariedade e Cooperação, Paz e Soberania e Segurança e Desarmamento – o livro evoca algumas das principais acções em prol da paz realizadas em Portugal, a abrangência unitária alcançada pelo movimento e a variedade das formas como se expressou a luta pela paz.
Presente está, também, a própria evolução da situação internacional nas últimas décadas, abordada através das posições assumidas pelo CPPC e por plataformas mais amplas que integrou e impulsionou.
Na apresentação do livro, para além dos que mais directamente envolvidos estiveram na sua concepção, marcaram presença os presidentes da Assembleia da Paz e da Direcção Nacional do CPPC, respectivamente António Avelãs Nunes e Ilda Figueiredo.