Com grandes mobilizações pela paz é possível impedir a guerra
ENTREVISTA A presidente da direcção nacional do CPPC, Ilda Figueiredo, em entrevista ao Avante!, antecipou o Concerto pela Paz do próximo sábado e integrou-o no necessário incremento da luta pela paz.
Num momento perigoso impõe-se o reforço da luta pela paz
À semelhança do que já fez noutras localidades, o CPPC promove depois de amanhã um concerto em Lisboa. Que expectativas existem para esta iniciativa e que importância tem para a actividade do CPPC?
O Concerto pela Paz que se realiza em Lisboa, este sábado, 22, a partir das 15h30, no Fórum Lisboa, é de grande importância e insere-se na campanha de promoção da paz que o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) está a desenvolver por todo o País, em colaboração com artistas, colectividades e outras instituições, tendo igualmente o apoio de muitas autarquias, tal como em Lisboa, e a participação empenhada de activistas da paz.
Há cerca de dois anos, o CPPC organizou um primeiro concerto em Lisboa, no mesmo local, que teve uma boa adesão de público amante da paz. Existem razões para esperar que vai acontecer o mesmo agora, pela qualidade dos artistas que participam, pelas associações envolvidas e pela gravidade do momento que vivemos, de preocupantes ameaças à paz, impondo-se a necessidade de proclamar, a muitas vozes, que queremos a paz, bem precioso fundamental para o progresso e desenvolvimento da humanidade.
Que significado podem ter os recentes bombardeamentos a bases militares sírias, por parte dos EUA, no agravamento da situação no país e da tensão com a Rússia?
Esta agressão dos EUA à Síria, que o CPPC condenou, é um grave atentado à Carta da ONU e do Direito Internacional e demonstra como os EUA continuam mais empenhados em impor a sua vontade e o seu domínio na região do que em combater as forças do dito Estado Islâmico, servindo sobretudo os seus propósitos, como se viu de imediato, com a ofensiva dessas forças logo a seguir ao primeiro ataque norte-americano.
A situação que se vive é ainda mais preocupante tendo em conta a escalada de agressões dos EUA, como no Afeganistão, as ameaças e chantagens como na Península da Coreia, e o recente reforço bélico junto às fronteiras da Federação Russa com armamento de última geração e milhares de militares norte-americanos e seus aliados da NATO.
E no que respeita à situação na Coreia, que apreciação faz o CPPC?
O CPPC já alertou para a gravidade da situação na Península da Coreia, na sequência do reforço da presença e da intensificação da pressão militar dos EUA contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), e para as imprevisíveis e dramáticas consequências de uma escalada belicista nesta região.
Após o recente ataque militar directo contra a Síria e o lançamento de uma bomba de grande potência numa zona remota do Afeganistão, o aumento dos meios e forças militares norte-americanas na Península da Coreia – com a instalação de novos sistemas de míssil e a presença de uma esquadra marítima – e das ameaças de agressão militar dos EUA à RPDC representam um novo e muito perigoso passo para a paz e a segurança, não só nesta região, como no mundo.
O que se impõe é a criação das condições para que o povo coreano, sem ingerências nem pressões externas, possa unificar a sua pátria, dividida há tempo de mais por razões que lhe são totalmente alheias. Tal legítima aspiração não será possível de concretizar sem o fim da escalada militarista e as ameaças de agressão dos EUA contra a RPDC, que o CPPC condena.
Por isso, o CPPC apela à expressão da exigência da paz, do fim da escalada militarista e da resolução do conflito por meios pacíficos, no quadro do respeito dos princípios da Carta das Nações Unidas.
Donald Trump disse recentemente que já não considerava a NATO «obsoleta», como afirmara durante a campanha eleitoral. Que se pode esperar da próxima cimeira da NATO em Bruxelas e do papel dos EUA na organização?
Essa afirmação recente coincide também com a intervenção na Síria e as ameaças na Península da Coreia, pelo que consideramos que a próxima cimeira da NATO em Bruxelas será um novo salto agressivo e belicista deste bloco político-militar.
No dia 1 de Abril, o CPPC promoveu uma conferência sobre a NATO, reafirmando a sua exigência de dissolução deste bloco político-militar. Que outras acções estão previstas no âmbito da contestação à cimeira?
O movimento da paz português, e também mundial, estão a preparar iniciativas para dar firme combate à militarização e à guerra e afirmar os valores da paz e da soberania como essenciais ao progresso e ao desenvolvimento e, também, à própria sobrevivência da vida no planeta. Para Bruxelas, está marcada uma grande manifestação para o próximo dia 25 de Maio, durante a cimeira da NATO. Em Portugal, estão previstas acções a 24, em Lisboa, e 25, no Porto – pela dissolução da NATO, pela paz.
Já em Março, as organizações da Europa membros do Conselho Mundial da Paz editaram um apelo «Contra a Cimeira da NATO de Bruxelas de 2017», no qual denunciam que desde a sua criação, em Abril de 1949, a Organização do Tratado do Atlântico Norte tem sido um «braço militar agressivo do imperialismo» e a «maior e mais perigosa organização militar no mundo, profundamente ligada às políticas económica e externa tanto dos Estados Unidos como da União Europeia».
Face a todas estas situações, e outras, que importância têm hoje a luta e o movimento pela paz? Como avalias a sua afirmação e reforço nos tempos mais próximos?
No momento muito perigoso que se vive no plano internacional, o CPPC considera que, mais do que nunca, impõe-se o reforço da luta pela paz, apelando a todos para que se juntem a nós na defesa deste bem precioso, fundamental para o progresso e desenvolvimento da humanidade.
Sempre dissemos que a guerra não é inevitável e que é possível impedi-la se houver grandes mobilizações a exigir a paz, o cumprimento dos princípios da Carta da ONU, a via do diálogo e da negociação para a resolução dos conflitos internacionais. É com esse objectivo que o CPPC tem multiplicado actividades e diferentes iniciativas, incluindo acções de rua, debates em escolas, sindicatos e outras organizações, parcerias com autarquias e associações diversas que incluem a realização de concertos pela paz, exposições e palestras, procurando chegar a cada vez mais pessoas com este apelo à mobilização na defesa da paz.
No sábado, para além do Concerto pela Paz, e no mesmo local (Fórum Lisboa, na Avenida de Roma), o CPPC apresenta às 12 horas o livro Décadas de Luta pela Paz, que assinala os 40 anos da formalização jurídica do CPPC e os vectores centrais da actividade do movimento da paz desde o final da década de 40 do século XX até aos dias de hoje. Em 192 páginas profusamente ilustradas, o livro destaca a acção dos activistas da paz portugueses, do CPPC e de outras organizações e movimentos em prol da paz, do desarmamento e da solidariedade com os povos do mundo.