Evasão fiscal
A presidência eslovaca da União Europeia (UE) está a tentar salvar os grandes grupos económicos e financeiros, acusados de fugirem aos impostos, da obrigação de prestarem contas sobre os respectivos activos e movimentos financeiros, acusa a organização Transparência Internacional (TI). Na sequência das revelações feitas pelos casos LuxLeaks, Panamá Papers e Bahamas Leaks, nos quais foram parcialmente expostas manobras e processos de evasão fiscal seguidos pelas multinacionais em paraísos fiscais na UE e fora dela, a Comissão Europeia propôs um sistema que obrigaria as companhias que operam no espaço comunitário a publicarem um mapa básico das suas transacções e activos. Ora, o que a presidência eslovaca agora pretende, de acordo com a TI, é introduzir no projecto uma via de fuga a essa norma, nomeadamente acolhendo a possibilidade de os conglomerados justificarem a não apresentação daquele documento.
O escândalo LuxLeaks deixou particularmente fragilizado o actual presidente da Comissão Europeia (CE), Jean-Claude Junker, acusado de ser o vector político do esquema de fuga aos impostos no Luxemburgo quando foi primeiro-ministro e ministro das Finanças do Grão-Ducado, entre 1995 e 2013.
Junker tem vindo a negar as acusações, mas como o Avante! noticiou a semana passada, recentemente o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, o jornal The Guardian e uma rádio alemã voltaram à carga atribuindo ao actual presidente da CE o papel de principal bloqueador de um projecto de combate à evasão fiscal que à época esteve em discussão entre os estados membro da UE.