PC do Brasil resiste
As eleições municipais brasileiras foram marcadas pela vitória da reacção, pela fragmentação partidária e pela recusa da «politica», considera o Partido Comunista do Brasil, que neste quadro resistiu com êxito.
Os resultados vão ser aproveitados pelos que assaltaram o poder
Analisando a primeira volta do sufrágio, ocorrida a 2 de Outubro, o PCdoB realçou que este ocorreu «sob o impacto da viragem ocorrida na relação de forças amplamente favorável ao campo conservador desde o golpe parlamentar consumado em 31 de Agosto», facto que «condicionou enormemente o resultado».
«A exaustiva e prolongada campanha contra o Partido dos Trabalhadores (PT) e a esquerda, e a manipulação mediática do necessário combate à corrupção provocaram, além do raivoso antipetismo, a desesperança e a repulsa à política atestadas em números recorde de abstenções, votos brancos e nulos em torno de 25 por cento a 35 por cento ou mais em grandes centros urbanos», notou o CC do PCdoB em comunicado datado de 7 de Outubro.
Na altura, os eleitores de 57 cidades tinham de decidir a contenda eleitoral numa segunda volta, o que sucedeu no passado dia 30 de Outubro. Não obstante, o partido assinalava já que «considerando este cenário político adverso», tinha obtido «um resultado modesto mas relevante, sobretudo devido à destacada vitória no estado do Maranhão».
A 30 de Outubro, o PCdoB acabou por coroar os bons resultados da primeira volta no Maranhão com a vitória, pela segunda vez, da coligação que integrou na capital estadual: São Luís.
Positivo no contexto
Globalmente, o PCdoB elegeu nas municipais brasileiras 80 presidentes de câmara num total de 320 candidaturas próprias, 46 dos quais no Estado do Maranhão, governado pelo militante comunista Flávio Dino. Em 2012, o partido elegeu 56 “perfeitos” em todo o país e apenas quatro no estado do Maranhão.
A isto soma-se a eleição de centenas de membros do PCdoB para os órgãos do poder local e uma perda de votos pouco expressiva face às últimas autárquicas (1,77 milhões agora contra 1,88 milhões em 2012), razão pela qual o Secretario Nacional do partido responsável pelas municipais, Walter Sorrentino, avaliou positivamente os resultados do PCdoB.
Embora a direcção do partido só reúna para analisar os resultados da segunda volta amanhã, dia 11, Sorrentino adiantou ao Portal Vermelho que, na opinião do partido, três factores são evidentes neste sufrágio: «vitória conservadora, fragmentação partidária e recusa da “politica”». Na segunda volta em 18 grandes cidades, 8 candidatos de partidos e coligações não tradicionais acabaram por vencer, exemplificou.
O dirigente alertou, ainda, que «os resultados vão ser aproveitados pelas forças que assaltaram o poder para acelerar a agenda ultra-liberal e o avanço crescente do estado de excepção».
Os dados oficiais da segunda voltam mostram que a soma dos votos brancos, nulos e dos eleitores que não compareceram às urnas superam o número de votos expressos nos candidatos que venceram as câmara municipais do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, respectivamente.
A onda conservadora que varreu o Brasil na primeira e segunda voltas das municipais penalizou sobremaneira o PT, que manteve apenas a presidência de uma capital estadual – Rio Branco (Acre). Partido da Social Democracia Brasileira e Partido do Movimento Democrático Brasileiro (do presidente golpista Michel Temer), bem como candidatos apoiados por organizações evangélicas ou empresários capazes de financiarem as próprias campanhas acabaram por sair vencedores nos sufrágios, beneficiando dos constrangimentos impostos ao financiamento «corporativo» das campanhas eleitorais.