Resistência na Portway
«Várias dezenas de trabalhadores, com enorme coragem e determinação», resistem à «operação de chantagem, de ameaças e de assédio» da Portway (Grupo ANA, da multinacional Vinci), destacou o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, ao reagir na segunda-feira à comunicação formal do despedimento colectivo.
O Sitava revelou que a empresa formalizou a intenção de despedir 83 trabalhadores, a maior parte dos quais a partir de 21 de Novembro. Para o sindicato da Fectrans/CGTP-IN, a administração «concretiza assim uma ilegalidade monstruosa, construída com base em falsos pressupostos e com o objectivo claro de chantagear os sindicatos com vista à assinatura de um Acordo de Empresa (AE) que coloca os trabalhadores no limiar da escravatura».
Depois de recordar que, «desde a primeira hora, repudiou, rejeitou e denunciou esta chantagem», o Sitava declara que os trabalhadores que resistem podem contar com o sindicato «para a batalha em defesa dos postos de trabalho». No comunicado de dia 5, confirma-se que o despedimento vai ser contestado judicialmente, assinalando que, «a cada acção que os responsáveis da Vinci/Portway efectuaram no âmbito do processo de despedimento colectivo, as ilegalidades foram aumentando».
A formalização da intenção de despedimento revela «total falta de escrúpulos», pois é cometido pela empresa «apesar de ter conseguido a assinatura do AE por parte de três organizações».
Sem vergonha
Ao dar conta da publicação oficial, a 29 de Agosto, do «AE da vergonha», o Sitava alerta que este contém «várias incongruências, algumas até de legalidade duvidosa». Como «a mais gritante» destas, demonstrativa de que «já não há vergonha», o sindicato refere o facto de, no AE publicado, vir escrito que este «abrange um empregador e 1978 trabalhadores», enquanto a empresa, na carta a comunicar o despedimento colectivo, afirma que as três estruturas que subscreveram o AE «representam, na sua globalidade, um universo de 460 trabalhadores».
«Continuaremos a lutar, com os trabalhadores, na Justiça, na empresa e na rua, contra estas atrocidades, porque acreditamos que o caminho é a dignificação do trabalho e não a escravatura», conclui o Sitava.