em Espanha
Chumbo previsível
O primeiro-ministro em funções e líder do Partido Popular, Mariano Rajoy, vai submeter-se à votação do parlamento para tentar formar governo, mas não tem maioria garantida.
Parlamento espanhol deverá negar confiança a Rajoy
O processo de investidura inicia-se na próxima terça-feira, dia 30, e poderá prolongar-se até sexta-feira, 2 de Setembro. A menos que as posições dos diferentes partidos se alterem, Mariano Rajoy será mais uma vez impedido de formar governo.
Tanto o PSOE como os partidos de direita basco e catalão, tradicionais aliados do PP, têm reiterado a recusa de qualquer apoio a um governo liderado por Rajoy.
Até ao momento, o PP apenas tem ao seu lado o partido Ciudadanos, com o qual assinou um «pacto anticorrupção» em troca do voto favorável à investidura.
Embora seja um apoio indispensável, o compromisso com o Ciudadanos é insuficiente para assegurar a necessária maioria parlamentar.
Por isso, nos últimos dias, Rajoy tem procurado responsabilizar o PSOE pelo impasse político que dura há oito meses e que, com grande probabilidade, conduzirá à convocação de novas eleições, pela terceira vez num ano.
Por seu turno, o PSOE tem reafirmado que não só votará contra a investidura de Rajoy, mas também contra um futuro Orçamento do Estado, caso a direita consiga forma governo.
«O PSOE não é um aliado potencial (…) não seremos cúmplices da corrupção, da precariedade, nem do desemprego», declarou dia 19, Pedro Sanchez, secretário-geral do PSOE.
Por outro lado, continua a recusar qualquer entendimento com os partidos à esquerda, designadamente com a coligação Unidos Podemos, com vista à formação de um governo alternativo aos partidos de direita.
Entretanto, sucedem-se declarações contraditórias sobre um hipotético diálogo entre as duas formações.
Enquanto o líder do Podemos, Pablo Iglesias, garantiu recentemente que mantinha conversações habituais como o seu homólogo, Pedro Sánchez, a direcção do PSOE desmentiu de imediato a existência de negociações.
O porta-voz do PSOE, Óscar López, declarou que a possibilidade de um governo alternativo «não foi colocada». «Não há quaisquer conversações com Pablo Iglesias», assegurou o responsável, acrescentando que cabe ao PSOE «ser oposição e a alternativa ao PP».
Não obstante, segundo Ramón Espinar, porta-voz do Podemos no Senado, ambas formações «estão de acordo no substancial», observando que os programas económicos são tão parecidos que um acordo para formar um governo diferente seria «rápido», se a investidura fracassar.