Cascais
PCP critica<br>«projecto de mobilidade»

«O chamado “Mobi Cascais” não responde a nenhum dos problemas de mobilidade do concelho», não promove «o transporte colectivo público», não «aumenta a qualidade e a oferta da rede rodoviária» nem a articula com «a linha ferroviária de acordo com as necessidades», considera a Comissão Concelhia do PCP. No centro das preocupações da organização do Partido está quem vive e trabalha no concelho. Ao invés, o executivo camarário está mais preocupado em iniciar a campanha eleitoral para as autárquicas de 2017, mesmo que à custa da população de Cascais, acusa.

Em comunicado de reacção ao alegado projecto de mobilidade concelhio do município, a estrutura local do PCP nota que «as questões de mobilidade, fundamentais para a qualidade de vida das populações e para a economia dos territórios, não podem ser concebidas como “ilhas” desarticuladas», lamentando que «nada neste projecto apresentado funciona em articulação com estes dois operadores fundamentais – o transporte ferroviário (CP) e rodoviário (Scotturb)».

O projecto nunca foi discutido nos órgãos autárquicos, denunciam ainda os comunistas, que estendem as críticas ao secretário de Estado do Ambiente, José Mendes, que classificou o «Mobi Cascais» como «um dos melhores sistemas de mobilidade em Portugal». Para o PCP, «nenhum sistema de transportes pode ser bom se não for ao encontro das necessidades da população que o usa.

O projecto da Câmara Municipal de Cascais decorre do Regime Jurídico do Serviço Público de Transportes de Passageiros (RJSTP), criado a 9 de Junho do ano passado pelo governo PSD/CDS com os votos favoráveis dos deputados do PS, contra o qual o PCP se tem batido. Num documento sobre este novo regime, editado no início de Julho pelo Sector de Transportes da Organização Regional de Lisboa, o Partido dava como exemplo precisamente o caso de Cascais, onde o presidente do município «anunciou um novo sistema de transportes assente na mais pura demagogia e em promessas, que pura e simplesmente ignora a Scotturb, a CP e as necessidades de mobilidade da maioria da população».

Nesse texto, o PCP informava que tinha já apresentado na Assembleia da República uma proposta em que exige que «as opções a tomar no futuro dos transportes rodoviários de passageiros tenham em conta a realidade, as empresas, as infra-estruturas e equipamentos, e os trabalhadores existentes», que «hoje prestam serviço à população e não podem ser tratados como descartáveis». Apelando à unidade entre utentes e trabalhadores, o Sector dos Transportes da ORL considera que «esta é uma batalha que deve começar desde já, no caso da Scotturb, junto das Câmaras de Sintra, Cascais e Oeiras, e da Área Metropolitana de Lisboa».

 



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