Povo saarauí continua a luta

Polisário elegeu novo presidente

Brahim Ghali foi eleito se­cre­tário-geral da Frente Po­li­sário e pre­si­dente da Re­pú­blica Árabe Sa­a­rauí De­mo­crá­tica (RASD). Cabe-lhe con­ti­nuar a luta pela in­de­pen­dência, contra a do­mi­nação mar­ro­quina.

Mar­rocos deve deixar de ocupar a úl­tima co­lónia em África

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O XV Con­gresso (ex­tra­or­di­nário) da Frente Po­li­sário, re­a­li­zado a 8 e 9 deste mês, de­cor­ridos 40 dias após a morte de Mohamed Ab­de­laziz, o an­te­rior líder sa­a­rauí, elegeu uma nova di­recção.
Os cerca de 2500 de­le­gados ao «Con­gresso do Mártir Mohamed Ab­de­laziz», reu­nidos nos campos de re­fu­gi­ados sa­a­rauís, ele­geram Brahim Ghali por ampla mai­oria à ca­beça da Po­li­sário e da RASD, um Es­tado re­co­nhe­cido por 84 países. Terá agora por missão con­ti­nuar a di­rigir a luta do povo sa­a­rauí pelo di­reito à au­to­de­ter­mi­nação e in­de­pen­dência, contra o do­mínio co­lo­nial de Mar­rocos.
Ghali, de 67 anos, co­la­bo­rador pró­ximo de Ab­de­laziz, é um pa­triota com ampla ex­pe­ri­ência po­lí­tica, mi­litar e di­plo­má­tica, tendo sido um dos fun­da­dores da Po­li­sário, mi­nistro da De­fesa da RASD e em­bai­xador em Argel.
Fa­lando aos con­gres­sistas e con­vi­dados es­tran­geiros sobre o fu­turo da luta de li­ber­tação na­ci­onal do seu povo, Ghali afirmou que a Missão da ONU para a Or­ga­ni­zação do Re­fe­rendo no Saara Oci­dental (Mi­nurso) «de­veria ser capaz de as­sumir o ob­jec­tivo prin­cipal para que foi criada em 1991», pre­ci­sa­mente o da or­ga­ni­zação de um re­fe­rendo no ter­ri­tório. La­mentou que esta missão se trans­forme «no guar­dião do facto con­su­mado co­lo­nial mar­ro­quino e do cessar-fogo». E con­si­derou que «é tempo das Na­ções Unidas e do Con­selho de Se­gu­rança exer­cerem pres­sões e im­porem san­ções a Mar­rocos, que con­tinua a sa­botar os es­forços da co­mu­ni­dade in­ter­na­ci­onal e deve pôr fim à ocu­pação da úl­tima co­lónia em África».

Pes­soal da ONU
re­gressa ao Saara

As Na­ções Unidas con­fir­maram o re­gresso a El-Aiun, em ter­ri­tório sa­a­rauí ocu­pado, do pri­meiro grupo de pes­soal da Mi­nurso, ex­pulso por Mar­rocos, in­di­cando que o tra­balho da missão da ONU será re­to­mado gra­du­al­mente.
Stéphane Du­jarric, porta-voz do se­cre­tário-geral, Ban Ki-moon, pre­cisou que as Na­ções Unidas e Mar­rocos con­cor­daram em res­ta­be­lecer as ac­ti­vi­dades da Mi­nurso «através de um pro­cesso gra­dual». Em Março, Mar­rocos ex­pulsou mais de 70 fun­ci­o­ná­rios da missão, de­pois de Ban Ki-moon vi­sitar o Saara Oci­dental e re­ferir-se a «ter­ri­tó­rios ocu­pados».
Um pri­meiro grupo com­posto de 25 mem­bros civis da Mi­nurso vi­ajou de avião, na se­mana pas­sada, para El-Aiun. Será se­guido por ou­tros efec­tivos, que che­garão aos ter­ri­tó­rios ocu­pados até ao final de Julho.
Nessa al­tura, o se­cre­tário-geral da ONU – que vai deixar o cargo no final deste ano – de­verá apre­sentar ao Con­selho de Se­gu­rança um re­la­tório dando conta das con­ver­sa­ções com Mar­rocos. Nesse do­cu­mento in­cluirá pro­postas sobre como «fa­ci­litar» o fun­ci­o­na­mento pleno da Mi­nurso.
O go­verno mar­ro­quino quer que a missão se de­dique a ta­refas que não te­nham a ver com o re­fe­rendo de au­to­de­ter­mi­nação, tais como a des­mi­nagem da fron­teira, a vi­gi­lância do cessar-fogo e o in­ter­câmbio de co­mu­ni­ca­ções entre as fa­mí­lias de um lado e do outro do muro que se­para os ter­ri­tó­rios ocu­pados e as áreas li­ber­tadas.
Du­jarric fez saber que a vi­sita a Mar­rocos de Ch­ris­topher Ross, en­viado es­pe­cial de Ban Ki-moon, con­tinua a ser dis­cu­tida. Ele foi en­car­re­gado de re­tomar a me­di­ação e de pro­curar abrir ca­minho para novas ne­go­ci­a­ções entre a Frente Po­li­sário e as au­to­ri­dades de Rabat vi­sando uma re­so­lução po­lí­tica do con­flito.
Ross, a quem Mar­rocos re­tirou a con­fi­ança em 2012, re­tomou em 2015 os seus es­forços di­plo­má­ticos e vi­sitou a re­gião por duas vezes, sem grandes re­sul­tados.
 

Je­ró­nimo de Sousa saúda Brahim Ghali

Je­ró­nimo de Sousa en­de­reçou uma sau­dação a Brahim Ghali pela sua eleição como Se­cre­tário-geral da Frente Po­li­sário e como Pre­si­dente da Re­pú­blica Árabe Sa­a­rauí De­mo­crá­tica, na qual de­sejou «os me­lhores su­cessos no exer­cício das suas novas res­pon­sa­bi­li­dades em prol dos ina­li­e­ná­veis di­reitos do povo sa­a­rauí».
O Se­cre­tário-geral do Par­tido Co­mu­nista Por­tu­guês trans­mitiu também a «so­li­da­ri­e­dade do PCP para com a luta pela con­cre­ti­zação do di­reito à au­to­de­ter­mi­nação do povo sa­a­rauí e pela in­de­pen­dência do Saara Oci­dental, frente à ilegal ocu­pação deste ter­ri­tório pelo Reino de Mar­rocos e à opressão que este exerce sobre o povo sa­a­rauí».
Na sau­dação, Je­ró­nimo de Sousa re­a­firmou a von­tade do PCP de pros­se­guir e re­forçar os laços de ami­zade com a Frente Po­li­sário e entre o povo por­tu­guês e povo sa­a­rauí.

 



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