Desigualdade no Reino Unido

Alarga-se fosso intergeracional

A desigualdade social e de oportunidades entre as novas e as velhas gerações acentuou-se nos últimos anos e ameaça tornar o Reino Unido num país «permanentemente dividido».

A conclusão é da Comissão para a Mobilidade Social e a Pobreza Infantil, uma entidade governamental, que acompanha as questões sociais.

O seu presidente, Alan Milburn, alertou para a gravidade da situação, apelando ao governo que tome medidas urgentes no sentido de dar mais oportunidades aos jovens no acesso à educação, ao mercado de trabalho e à habitação.

Na apresentação do estudo, Milburn, antigo ministro trabalhista, salientou que a ideia de que as novas gerações teriam uma vida melhor do que as anteriores «é parte da trama que unia a sociedade no seu conjunto».

Porém, o relatório da Comissão, que incluiu uma sondagem de opinião, mostra que é o contrário que está a ocorrer.

Um quinto dos inquiridos receia que o Estado invista cada vez menos em serviços públicos, criando maiores dificuldades aos jovens. E a maioria (54%) considera que a vida dos jovens será pior dos que a dos seus pais e avós, contra apenas 20 por cento que se manifestam optimistas.

«Tanto o nosso relatório como a sondagem indicam que chegámos a um ponto crítico, e se estas tendências se mantiverem tornar-nos-emos uma nação permanentemente dividida».

Milburn salientou ainda que menos de metade dos jovens britânicos tem recursos para aceder a habitação própria. A chamada «Geração Y» ou «Geração do Milénio», jovens que nasceram entre os anos 80 e 2000, tem de fazer face a propinas universitárias muito mais elevadas do que as gerações anteriores, altos preços da habitação e uma carestia de vida sem precedentes.

Nos últimos 30 anos, os jovens deixaram de ser pessoas bem remuneradas, com recursos para comprarem casa e constituírem família, e tornaram-se «parentes pobres» da sociedade.  




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