Sob o lema «Sempre com os agricultores!», a Escola Superior Agrária de Coimbra acolhe, no dia 26, um encontro para assinalar os 38 anos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Às 10 horas, no Auditório H1, tem lugar um debate com o tema «Carta e estatutos da agricultura familiar portuguesa», de forma a consagrar e valorizar a importância estratégica da agricultura familiar portuguesa, bem como recompensar o trabalho produtivo e apoiar a vida dos agricultores.
A Carta da Agricultura Familiar foi aprovada, por unanimidade, no último Congresso da CNA, realizado em Novembro de 2014, em Penafiel. O documento assenta em princípios que procuram garantir à agricultura familiar o direito a produzir; acesso a mecanismos justos de comercialização que garantam preços justos e rentabilidade à agricultura familiar; adequado financiamento à actividade agrícola e regimes de seguros adequados; assistência técnica, o ensino e a formação necessários à qualificação dos agricultores para que estes possam melhorar os seus rendimentos; acesso à terra e à manutenção dos serviços públicos de qualidade como factor de coesão territorial e social; garantia das condições de vida e da existência das infra-estuturas territoriais necessárias à actividade agrícola e à vivência do mundo rural; garantia de funcionamento das organizações dos agricultores e os apoios necessários à execução das suas atribuições; serviços do Ministério que garantam o apoio aos agricultores mais pequenos, libertando-os da dependência de apoio técnico de entidades que lhes vendam produtos.
Tais medidas devem inserir-se numa acção da União Europeia, que garanta uma Política Agrícola justa, com uma distribuição equitativa dos apoios pelos países, produtores e produções e que tenha em conta as especificidades da agricultura nacional.
No final do ano passado, o PCP apresentou um projecto de resolução visando o estabelecimento de um Estatuto da Agricultura Familiar Portuguesa, documento chumbado com a abstenção do PS e os votos contra do PSD e CDS.
Assegurar a segurança alimentar
Reconhecendo a importância da agricultura familiar, a ONU, através da resolução n.º 66/222, decidiu declarar 2014 o Ano Internacional da Agricultura Familiar. Com esta declaração, reconhece-se que «a agricultura familiar e as pequenas explorações constituem um meio importante para se ter uma produção alimentar viável e capaz de assegurar a segurança alimentar» e «combater a pobreza».
Implicitamente, a ONU também reconheceu os múltiplos problemas regionais e globais causados pela acção predadora do grande «agro-negócio» transnacional e pela produção agro-industrial (super) intensiva que destroem recursos naturais, «semeiam» a fome e a subnutrição, e provocam a ruína de milhões de pequenos agricultores.