Exigentes batalhas no futuro próximo

Um Partido vivo, determinado e combativo

A di­na­mi­zação da luta dos tra­ba­lha­dores e do povo, a afir­mação da al­ter­na­tiva pa­trió­tica e de es­querda e o re­forço da or­ga­ni­zação, in­ter­venção e ini­ci­a­tiva do Par­tido são ba­ta­lhas exi­gentes e de­ci­sivas que o co­lec­tivo par­ti­dário co­mu­nista tem entre mãos. Estes foram temas em des­taque nas grandes ini­ci­a­tivas re­a­li­zadas em Coimbra e no Seixal, res­pec­ti­va­mente na sexta-feira e no do­mingo, em que par­ti­cipou Je­ró­nimo de Sousa.

Quem de­cide dos des­tinos do PCP são os seus mi­li­tantes

Poucos dias de­pois das elei­ções para a Pre­si­dência da Re­pú­blica, e ao mesmo tempo que por todo o País se re­a­lizam reu­niões e ple­ná­rios aos vá­rios ní­veis da es­tru­tura par­ti­dária, o Se­cre­tário-geral do PCP par­ti­cipou em duas grandes ini­ci­a­tivas – um jantar em Coimbra e um co­mício no Seixal – que con­taram com a pre­sença de largas cen­tenas de pes­soas. Mas mais do que o nú­mero de par­ti­ci­pantes, e tão sig­ni­fi­ca­tivo que foi, so­bres­saiu das duas ini­ci­a­tivas o en­tu­si­asmo dos mi­li­tantes e sim­pa­ti­zantes pre­sentes, numa inequí­voca ex­pressão de de­ter­mi­nação em travar os exi­gentes com­bates que aí vêm e de or­gulho na his­tória, na luta e no pro­jecto do Par­tido Co­mu­nista Por­tu­guês.

Mas o que é mo­tivo de le­gí­timo or­gulho para uns, sus­cita nou­tros ódio, raiva e temor. Daí que, como re­feriu Je­ró­nimo de Sousa nos dis­cursos que pro­feriu no fim-de-se­mana, os ini­migos de classe do PCP apro­veitem «todos os pre­textos para de­ne­grir e minar a sua uni­dade, des­cre­di­bi­lizar a sua acção, a sua po­lí­tica e o seu pro­jecto». Pe­rante os re­sul­tados elei­to­rais de dia 24 (numas elei­ções, lem­brou, com «ca­rac­te­rís­ticas muito par­ti­cu­lares»), mas a pensar no papel de­ci­sivo que o Par­tido as­sumiu na der­rota do go­verno PSD/​CDS, «aí temos de volta os co­veiros frus­trados a anun­ciar pela ené­sima vez o fim do PCP», acres­centou o di­ri­gente co­mu­nista. Je­ró­nimo de Sousa alertou ainda para os «ma­no­bra­dores e fa­ze­dores de opi­nião ao ser­viço da po­lí­tica de di­reita» que vêm agora, fin­gindo-se pre­o­cu­pados, a apontar os ca­mi­nhos para a «sal­vação do PCP».

A uns e a ou­tros, o Se­cre­tário-geral do Par­tido re­a­firmou: «en­ganam-se» e con­fundem de­sejos com re­a­li­dades aqueles que es­peram o «afun­da­mento» do PCP ou que ali­mentam es­pe­ranças de poder vir a de­cidir, de fora, o seu des­tino.

O Se­cre­tário-geral enu­merou, em se­guida, al­gumas das ques­tões que con­ti­nu­arão a me­recer, no ime­diato, o em­pe­nha­mento dos co­mu­nistas: a luta contra o de­sem­prego, a pre­ca­ri­e­dade, as de­si­gual­dades e in­jus­tiças so­ciais e pelos di­reitos ins­critos na Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa; o com­bate pela de­fesa, re­po­sição e con­quista de ren­di­mentos e di­reitos rou­bados; a pri­o­ri­dade ao cres­ci­mento e ao de­sen­vol­vi­mento, em de­fesa da pro­dução na­ci­onal e dos micro, pe­quenos e mé­dios em­pre­sá­rios; a afir­mação de Por­tugal como um País «so­be­rano e aberto ao mundo».

Va­lo­roso con­tri­buto

Vi­rando o dis­curso para o fu­turo e para as exi­gentes ba­ta­lhas que es­peram os co­mu­nistas (ver caixa), Je­ró­nimo de Sousa não deixou de se re­ferir, em ambas as ini­ci­a­tivas, ao re­sul­tado das elei­ções para a Pre­si­dência da Re­pú­blica e, em par­ti­cular, à can­di­da­tura de Edgar Silva. Re­gis­tando o «factor ne­ga­tivo» que cons­ti­tuiu a eleição de Mar­celo Re­belo de Sousa, que «não pode deixar de sus­citar le­gí­timas in­qui­e­ta­ções», o di­ri­gente co­mu­nista su­bli­nhou o «con­texto di­fícil e exi­gente» em que se travou esta ba­talha. So­bre­tudo para quem, como Edgar Silva, se bateu para im­pedir a eleição do can­di­dato do PSD e do CDS e que as­sumiu o valor da Cons­ti­tuição da Re­pú­blica como «re­fe­rência es­sen­cial para um outro rumo na vida po­lí­tica na­ci­onal». O pa­no­rama me­diá­tico de­si­gual di­fi­cultou ainda mais a ta­refa.

Assim, e por mais que os re­sul­tados al­can­çados pela can­di­da­tura de Edgar Silva te­nham fi­cado «aquém do valor que o seu pro­jecto exigia», Je­ró­nimo de Sousa va­lo­rizou a «grande cam­panha re­a­li­zada» e a de­cisão do PCP de «in­tervir com uma voz pró­pria e au­tó­noma» na ba­talha elei­toral. Cha­mando a atenção para os va­lores as­su­midos pela can­di­da­tura, o Se­cre­tário-geral do Par­tido su­bli­nhou o «va­lo­roso con­tri­buto pes­soal, a ge­ne­rosa en­trega e de­di­cação» do can­di­dato e a «ex­tra­or­di­nária cam­panha que pro­ta­go­nizou».

Olhar em frente com con­fi­ança

«Temos muito tra­balho pela frente e vamos tomá-lo em mãos», disse Je­ró­nimo de Sousa em Coimbra e no Seixal, antes de avançar com as múl­ti­plas ta­refas que estão co­lo­cadas aos co­mu­nistas. Entre elas, so­bressai pela sua im­por­tância o pros­se­gui­mento da ini­ci­a­tiva do Par­tido aos vá­rios ní­veis, «de­sig­na­da­mente na As­sem­bleia da Re­pú­blica, com novas pro­postas e novos pro­jectos», mas também nas em­presas, nos campos e na rua. Par­ti­cular des­taque as­sumem a cam­panha na­ci­onal sobre os di­reitos dos tra­ba­lha­dores «Mais Di­reitos, Mais Fu­turo, Não à Pre­ca­ri­e­dade» e a acção junto dos re­for­mados e pen­si­o­nistas sobre os seus di­reitos e con­di­ções de vida.

Para con­ti­nuar é o cum­pri­mento das me­didas ins­critas na re­so­lução do Co­mité Cen­tral «Mais or­ga­ni­zação, mais in­ter­venção, maior in­fluência – um PCP mais forte». As co­me­mo­ra­ções do 85.º ani­ver­sário do Avante! e do 95.º ani­ver­sário do Par­tido, a con­clusão da Cam­panha Na­ci­onal de Fundos «Mais Es­paço, Mais Festa. Fu­turo Com Abril», a pre­pa­ração da Festa do Avante! (mar­cada para os dias 2, 3 e 4 de Se­tembro) e o ar­ranque do tra­balho pre­pa­ra­tório do XX Con­gresso do PCP são im­por­tantes ta­refas a exigir a de­di­cação e em­pe­nha­mento dos qua­dros, mi­li­tantes e or­ga­ni­za­ções do Par­tido.

Em Coimbra e no Seixal, Vla­di­miro Vale e Nuno Costa (da Co­missão Po­lí­tica e do Co­mité Cen­tral) ex­pu­seram o «ca­derno de en­cargos» dos co­mu­nistas de cada uma das re­giões. O pri­meiro, su­bli­nhando que é «junto do povo» que o PCP tem que se re­forçar, des­tacou a ne­ces­si­dade de for­ta­lecer a pre­sença do Par­tido junto dos tra­ba­lha­dores da Dan­cake e da Ad­mi­nis­tração Pú­blica, bem como dos tra­ba­lha­dores e utentes dos hos­pi­tais de Coimbra e Can­ta­nhede e dos SMTUC, das po­pu­la­ções de Sou­selas (contra o au­mento das emis­sões de car­bono pela Cimpor) e Lousã (em de­fesa do trans­porte fer­ro­viário) e ainda dos agri­cul­tores do Baixo Mon­dego, que es­peram e de­ses­peram pela con­clusão da obra hidro-agrí­cola.

Na mesma linha, Nuno Costa também su­bli­nhou o ur­gente re­forço dos laços do Par­tido com os tra­ba­lha­dores e as po­pu­la­ções em torno de ques­tões como a efec­ti­vação das 35 horas na Ad­mi­nis­tração Pú­blica e o au­mento dos sa­lá­rios; a cons­trução do hos­pital do Seixal, do novo ae­ro­porto em Al­co­chete e da ter­ceira tra­vessia do Tejo (Chelas-Bar­reiro); a pla­ta­forma lo­gís­tica do Po­ceirão e o alar­ga­mento do Porto de Lisboa.

As duas ini­ci­a­tivas do fim-de-se­mana com­pro­varam o que Je­ró­nimo de Sousa afirmou no final das suas in­ter­ven­ções: hoje como ontem, em qual­quer si­tu­ação, o PCP apre­senta-se pe­rante os tra­ba­lha­dores e o povo com uma «in­que­bran­tável de­ter­mi­nação», a olhar em frente e a apontar os ca­mi­nhos do fu­turo. Der­ro­tados, lem­brou, são só os que «perdem a es­pe­rança, ab­dicam da luta e deixam de ter pro­jecto de trans­for­mação». Esse não é o caso do PCP, que con­tinua «de­ter­mi­nado e com­ba­tivo no cum­pri­mento do seu papel na de­fesa dos in­te­resses po­pu­lares, por uma po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda, por uma de­mo­cracia avan­çada, pelo so­ci­a­lismo e o co­mu­nismo».

 



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«Não nos desviaremos <br>do caminho traçado»

No jantar de Coimbra e no co­mício do Seixal, Je­ró­nimo de Sousa ana­lisou a ac­tual si­tu­ação po­lí­tica na­ci­onal e re­a­firmou os prin­ci­pais de­sa­fios hoje co­lo­cados ao co­lec­tivo par­ti­dário. Pu­bli­camos em se­guida ex­certos da in­ter­venção pro­fe­rida pelo Se­cre­tário-geral do PCP no co­mício do Seixal.

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