Luta recrudesce na Grécia
Milhares de gregos voltaram, sábado, 23, a desfilar no centro de Atenas e noutras grandes cidades do país contra a reforma do sistema de pensões que o governo do Syriza-Anel pretende impor para satisfazer as exigências dos credores internacionais. O protesto convocado pela central sindical Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) sucede a outros, realizados nas últimas semanas, contra o novo «pacote de austeridade».
O executivo liderado por Alexis Tsipras defende a inevitabilidade da aplicação de um corte nas pensões, as quais, nos últimos anos, já sofreram um rebaixamento de 30 por cento. Desta feita, prevê-se uma nova redução generalizada daqueles rendimentos, com a mínima a passar para os 348 euros mensais, assim como o aumento da idade da reforma e das contribuições pagas pelo trabalho.
A contestação ao «pacote de austeridade» que o governo helénico insiste em levar por diante tem mobilizado trabalhadores de diversos sectores em acções reivindicativas e de massas, sobretudo na segunda quinzena de Janeiro. Professores e outros funcionários públicos, trabalhadores do comércio, dos portos e da indústria, estudantes, advogados e investigadores têm dado expressão de rua à revolta. São, no entanto, os pequenos agricultores quem mais sobressai, tendo concretizado vários bloqueios de estradas contra medidas que, combinadas, podem reduzir até 85 por cento do rendimento dos trabalhadores por conta própria e dos micro e pequenos empresários, sobretudo no sector primário, alertam.