Será o povo a eleger
Nos quatro dias que passou nos Açores, Edgar Silva visitou instituições, participou em encontros, promoveu contactos, por forma a aprofundar o conhecimento das potencialidades e dos problemas da região. E sublinhou a importância das eleições de 24 de Janeiro.
As autonomias regionais são fundamentais à organização democrática do Estado
No dia 27, o candidato comunista à Presidência da República esteve na Ilha do Faial. Acompanhado pelo mandatário regional, José Decq Mota, pelo coordenador regional do PCP, Aníbal Pires, e por responsáveis da Universidade e do Observatório do Mar dos Açores, visitou o navio oceanográfico NI Arquipélago, tendo salientado as potencialidades da economia azul, mas também o muito que falta fazer para responder aos seus desafios e defender os interesses estratégicos das ilhas atlânticas, que são interesses nacionais.
A substituição do NI Arquipélago por uma embarcação de maior dimensão, adaptada às novas exigências e tecnologias empregues na investigação científica, é um exemplo das medidas e investimentos necessários ao aproveitamento da vasta zona marítima nacional. A este propósito, Edgar Silva considerou que o Estado português não tem tido uma intervenção responsável, sublinhando que, também ali, está em causa «o exercício da soberania nacional» e que o Presidente da República (PR) não se pode alhear destas matérias.
Em seguida, Edgar Silva foi recebido pela Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, numa audiência para apresentação de cumprimentos, tendo sublinhado que as autonomias regionais são um «elemento insubstituível da organização democrática do Estado», bem como a necessidade de «reedificar o edifício autonómico, tornando-o leal às aspirações das populações e fazendo dele o reflexo dos ideais que, durante séculos, nortearam as lutas dos povos insulares».
Continuar a lutar
No final do dia, o candidato apoiado pelo PCP participou num jantar com dezenas de apoiantes. Na sua intervenção, lembrou as oportunidades abertas pelo quadro político-institucional subsequente às eleições de 4 de Outubro, mas alertando aqueles que pensam que «já não é preciso lutar» para a necessidade de continuar a luta pelos direitos e melhoria das condições de vida, sendo este um tempo em que se impõe uma «linha interventiva e mobilizadora».
Por outro lado, Edgar Silva sublinhou a importância reforçada, a «nova centralidade» que as eleições de 24 de Janeiro assumem neste novo quadro, afirmando a necessidade de impedir que o novo PR se constitua como uma força de bloqueio, um entrave à legislação que altere as políticas que a direita vinha impondo a Portugal. O pior que podia acontecer é que a 24 de Janeiro se fechasse a porta de esperança que o povo português abriu a 4 de Outubro, salientou.
No domingo, dia 29, na Ilha de São Miguel, Edgar Silva visitou a Fábrica de Chá Gorreana (Ribeira Grande), reuniu-se com representantes da Casa da Madeira dos Açores, em Ponta Delgada, e, também nesta cidade, participou num almoço-convívio com dezenas de apoiantes. Nesta ocasião, o candidato presidencial destacou a importância da derrota da coligação PSD/CDS-PP nas eleições de 4 de Outubro, bem como a abertura de «um tempo de esperança e de possibilidade real de recuperação de direitos». Como exemplo desta «mudança com consequências na Assembleia da República», referiu-se à reversão das alterações feitas pela anterior maioria à lei da Interrupção Voluntária da Gravidez, que pôs cobro a «um verdadeiro atraso civilizacional», à humilhação que a direita mais reaccionária pretendeu impor à mulher.
Contudo, Edgar Silva advertiu que este tempo de esperança não pode dar lugar à espera e sublinhou que todas as conquistas conseguidas nesta legislatura serão o resultado da luta desenvolvida pelo povo e pelos trabalhadores.
É o povo quem elege
O candidato da «direita e do grande capital» foi alvo de fortes críticas por «se passar por quem não é», tendo Edgar Silva recordado que Marcelo Rebelo de Sousa está no Conselho de Estado escolhido pelo actual PR, com quem diz agora não se identificar, ou que já foi presidente do PSD, com o qual também diz não se identificar. Na Presidência da República, este candidato seria a continuação natural de Cavaco Silva – apoio à política de direita e força de bloqueio a uma política de esquerda –, advertiu.
Apesar de a comunicação social deixar transparecer que as eleições já têm garantido o resultado que interessa ao capital e anunciar quase diariamente o candidato da direita como eleito, é «ao povo que cabe eleger. Em democracia, é o povo quem elege», sublinhou o candidato comunista, antes de declarar que só a sua candidatura transporta «um firme compromisso com a Constituição da República, com Abril, com o progresso e o futuro dos trabalhadores, do povo e do País».